Eram quase 16h de um dia comum de trabalho quando a sirene de emergência soou em uma das filiais da Aga, localizada em Jaboatão dos Guararapes. Nas dependências da empresa, que atua na área de fornecimento de gases a indústrias e hospitais, uma certa correria de funcionários. Mônica Santiago, 38 anos, era uma das mais ativas. Esquecendo por alguns instantes a função de analista de logística, ela saiu em direção à área externa disposta a integrar a equipe de salvamento. Junto a alguns parceiros, Mônica escalou um dos inúmeros cilindros de oxigênio e retirou um outro funcionário que estava em apuros.
Na verdade, o resgatado estava, no alto da torre, apenas assistindo à operação, pois nada demais havia acontecido. Tudo fazia parte de um treinamento que a empresa adotou para eventuais momentos de emergência. Mônica aceitou ser voluntária e treinar, uma vez por mês, técnicas verticais e outros recursos que podem ser úteis em momentos como o narrado acima. "A técnica do rapel é uma das que utilizamos para simular a entrada em locais de difícil acesso", revela ela. Para que os "alunos" estejam sempre melhorando suas atuações e não percam a prática das lições já aprendidas, o grupo dos voluntários é levado esporadicamente ao antigo prédio na Caxangá, onde um dia funcionou um hospital. Lá, são treinados por integrantes do Corpo de Bombeiros.
Assim, Mônica descobriu o rapel, pois nunca havia praticado a modalidade antes de aderir os treinamentos. E embora não tenha descido pontes, cachoeiras ou montanhas, já experimentou a adrenalina que o "esporte" pode proporcionar, mesmo que tenha sido apenas em simulações. "Quando a sirene toca a gente nunca sabe se é verdade ou simulação. Até entender a situação, o coração dispara", diz Mônica. Na empresa onde ela trabalha, um treinamento como este é de extrema utilidade, já que o grau de risco chega a 3, quando a escala segue de 0 a 4. O alto nível de perigo existe em função do risco de explosões e incêndios dos cilindos de gases.
|