O repórter fotográfico Sandoval Loureiro, 70 anos, é uma testemunha da história de Miguel Arraes. Ex-funcionário do DIARIO DE PERNAMBUCO, ele documentou a primeira posse do socialista, em 1962, a prisão de Arraes em 64, o retorno em 1986 e o terceiro governo, em 1994. Desde o final da década de 60, Sandoval trabalha na assessoria de Imprensa do Palácio das Princesas. No sábado ele fotografou o velório do velho amigo e confessou ter ficado emocionado quando viu a chegada do caixão.
"Não convivi apenas com o político, mas com o homem Arraes. Uma pessoa simples, que conversava com as pessoas de igual para igual e contava histórias engraçadas", lembrou. Como jornalista, ele fez diversas viagens com o ex-governador pelo Interior do Estado e garante que a imagem de pessoa fechada, de poucas palavras, não era verdadeira. "Às vezes ele ficava pensativo, mas era um camarada falante e bem humorado. Tinha uma risada fácil e cheia", diz.
Para Sandoval, o momento mais marcante foi quando Arraes deixou a sede do Governo preso. "Eu havia saído, então vi chegando o carro da Polícia. Consegui dar um drible na guarda e voltei ao Palácio. O governador sabia que seria preso, tanto que dispensou todos os funcionários antes das 16h. Peguei minha máquina e me posicionei. Quando vi Arraes saindo acompanhado dos militares bati 17 fotos com a Roleflex", narra. Meses depois o fotógrafo voltou a encontrar o ex-governador no presídio de Fernando de Noronha. "Em 86, quando ele entrou por aquela porta (conta apontando para a entrada principal do Palácio) eu estava lá. Uma multidão do lado de fora gritava o nome de Arraes. Também foi muito emocionante para mim", recorda. O homem que registrou a vida política do socialista acredita que perdeu um companheiro e prefere não avaliar o impacto político do fato. "Não penso nisto, em eleições, era uma figura que eu admirava e tinha muito carinho", finaliza.
|