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Edição de Segunda-Feira, 8 de Agosto de 2005 
Viver | Música cubana perde Ibrahim Ferrer
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VIVER
Música cubana perde Ibrahim Ferrer
Integrante do grupo Buena Vista Social Club morreu no último sábado, em um hospital em Havana
Um dos destaques do projeto musical Buena Vista Social Club, o cantor cubano Ibrahim Ferrer morreu aos 78 anos no último sábado, em Havana, capital de Cuba. Segundo informações de seu empresário, Daniel Florestan, às agências de notícias, Ferrer voltou quarta-feira passada de uma turnê européia e já estava doente e morreu de falência múltipla dos órgãos. Com o trabalho que desenvolveu com o grupo que rodou o Mundo, o cantor deixou a profissão de engraxate para se transformar em celebridade planetária no final da vida. Ganhador do Grammy, ele deixa a imagem de um figura alegre, com sua boina e seu bigode grisalho.

  Cantor da tradicional música cubana son, cuja voz já foi comparada à de Nat King Cole, Ibrahim Ferrer nasceu num baile de um clube social em Santiago, Cuba, em 20 de fevereiro de 1927, quando sua mãe entrou em trabalho de parto inesperadamente. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas 12 anos, e embora ele tivesse a intenção de ser médico foi forçado a ganhar a vida vendendo pipoca até se juntar a um primo no grupo Jóvenes del Son, para cantar nas festas do bairro. Ferrer começou a cantar profissionalmente aos 14 anos. Depois continuou cantando em outras bandas de Santiago de Cuba como os conjuntos Sorpresa, Wilson e o de Pacho Alonso.

  Na década de 1950, ele já era um cantor respeitado que se apresentava com bandas cubanas conhecidas, incluindo a do legendário Benny More. Esquecido nos anos 1990, ele passou a engraxar sapatos para complementar a reduzida aposentadoria que recebia do governo comunista cubano.

  Ferrer foi retirado da obscuridade pelo disco premiado com o Grammy Buena Vista Social Club, de 1997, gravado por um grupo de músicos cubanos veteranos reunidos pelo guitarrista texano Ry Cooder. Os músicos já velhos foram projetados para uma inesperada segunda carreira musical e para a fama internacional, que cresceu ainda mais com o filme homônimo dirigido em 1999 pelo cineasta alemão Wim Wenders. No Buena Vista Social Club, Ibrahim gravou doze dos quatorze temas do disco e teve o prazer de colaborar com muitos dos intérpretes que sempre admirou, como Omara Portuondo, Rubén González, Compay Segundo, Elíades Ochoa e Barbarito Torres.

  Dois dos principais integrantes do grupo, o cantor Compay Segundo e o pianista Ruben Gonzalez, morreram em 2003. Como eles, Ibrahim Ferrer iniciou uma carreira solo e lançou discos seus em 1999 e 2003, tendo conquistado mais um Grammy e dois Grammy Latinos, incluindo um em 2000, aos 72 anos de idade, na categoria melhor artista revelação. Durante sua última turnê européia, na qual passou pelo Festival de Jazz de Montreux, a Grã-Bretanha, Holanda, Áustria, França e Espanha, Ferrer cantou uma coletânea de boleros que ele estava gravando e pretendia lançar em 2006, e que era um dos principais sonhos de sua vida.

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