BRASÍLIA - Num gesto que lembrou os tempos de campanha eleitoral e o início de sua gestão, o presidente Lula ordenou ontem que o comboio que o levava ao Palácio do Planalto parasse na porta da Granja do Torto para que pudesse cumprimentar duas mulheres que o aguardavam. Ostentando bandeiras do PT e do Brasil, Lydia Queiroz Silva Carvalho, de 92 anos, e sua filha Ana Maria Carvalho, de 63, decidiram fazer plantão na porta da residência oficial para, numa tentativa arriscada, falar com Lula. Lydia mora em São Paulo e veio a Brasília para "visitar a filha", Ana Maria, e "conhecer o presidente". "Ele (Lula) vai superar isso (crise política)" disse Lydia.
Por volta das 11h, diante da iminente saída do presidente da República, as duas mulheres foram colocadas atrás de uma grade de ferro, para que ficassem na frente do portão onde o comboio passaria. Mesmo assim, Lula conseguiu avistá-las, pedindo ao motorista da Presidência que parasse seu carro - atitude rotineira em tempos de alta popularidade no início da gestão. Ontem, houve empurra-empurra, com os seguranças tentando evitar a aproximação dos fotógrafos, o que, na prática, evitou que o próprio presidente conseguisse sair do carro.
Com a porta aberta, ele apenas teve espaço para dar um beijo em Lydia e trocar algumas palavras. "A senhora está passeando em Brasília?", questionou o presidente. "Vim ver o senhor. Um beijo pro senhor e outro para a sua mulher (Marisa Letícia)", disse Lydia, prensada por seguranças, fotógrafos e cinegrafistas.
Fã - Dona Lydia contou que mora no bairro de Perdizes, em São Paulo. Ela disse que é fã do presidente desde que ele apareceu no cenário político e que falar com ele foi um presente de aniversário, comemorado no dia 1º. Perguntada, de novo, sobre a crise, dona Lydia disse que era para denegrir o País. "Se ele é estimado assim no mundo inteiro, no Brasil o brasileiro não corresponder, não merece ser brasileiro", disse dona Lydia.
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