LONDRES - O pacote de medidas de combate ao terrorismo anunciado ontem pelo primeiro-ministro Tony Blair provocou grande apreensão em diversos setores da sociedade que temem um cerceamento das liberdades civis. Blair disse que as medidas visam a combater apenas os que propagam a "ideologia do mal" e desejam a estabelecer um "Estado Talibã" no país. Para tanto, ele anunciou que vai emendar a lei de direitos humanos para facilitar a deportação dos que incitam à violência e ao terrorismo.
As organizações de direitos humanos, o Conselho Muçulmanos da Grã-Bretanha e até o líder liberal Charles Kennedy condenaram a iniciativa. As entidades de direitos civis lembram que a Grã-Bretanha é signatária da Convenção Européia de Direitos Humanos. Um dos artigos da convenção veta a deportação de pessoas para países onde possam ser torturadas. Blair contestou, argumentando que seu governo já firmou um memorando com a Jordânia, por exemplo, que garante ao deportado tratamento humano.
Tensão - O líder oposicionista Charles Kennedy também fez sérias restrições ao pacote. Ele advertiu Blair de que banir organizações muçulmanas, fechar mesquitas e deportar pessoas que visitam livrarias e sites da internet pode aumentar a tensão e alienar as pessoas.
Para Shami Chakrabarti, diretor da organização de direitos civis Liberty, Blair atacou direitos humanos chave e pode colocar em perigo a unidade nacional. Já o Conselho de Muçulmanos da Grã-Bretanha classificou de prejudicial e arbitrária e a decisão de Blair de banir grupos muçulmanos por suspeita.
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