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Quem manda é o freguês
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Recifenses reclamam da relação cliente-garçon nos bares da cidade, alegando que o bom atendimento faz a diferença |
Aline Feitosa Da equipe do DIARIO |
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A cortesia vem à frente da atitude de um bom garçom. Assim está nos manuais dos cursos preparatórios para a profissão, como também no primeiro lugar da lista de exigências dos clientes. O lema "quem é bem atendido volta", porém, nem sempre é real. Ainda mais quando se trata de alguns estabelecimentos do Recife, que por terem sabores bem especiais somados a ambientes agradáveis, garantem uma clientela cativa. Os bons garçons existem sim, é claro. Mas, diz a clientela, são difíceis de encontrar.
 Cid, Alex e Sérgio, do Central, compensam a demora da conta com sorrisos e cordialidade. Fotos: Ricardo Fernandes. | Cada pessoa elege o seu. Tem aquele garçom que lhe chama pelo nome, sabe qual é a sua bebida preferida e abre aquele sorriso quando você chega. Há os que serviram de inspiração para canções e os que são "todo ouvidos" para as suas dores. Ao mesmo tempo, chegar num restaurante ou bar e dar de cara com o mau humor de alguns deles, também é fato recorrente. "Não existe nada pior do que estar fazendo um pedido e o garçom dar as costas e ir embora", reclama a assistente social, Sara Veiga, que freqüenta a creperia Anjo Solto, no Pina. "Só continuo indo lá porque gosto realmente da comida", solta Veiga.
 Yuan Htjay, o China, ensina: "É preciso dominar as mesas". | No bar Central, o problema da "cara amarrada" não existe. Em compensação, é comum a demora da conta e o pedido chegar errado na mesa. Nada que ofusque a cordialidade e sorrisos do trio de garçons Cid, Alex e Sérgio. E, se é pra falar em sorrisos, temos que lembrar de Edmilson Pereira, do Restaurante da Mira, na Tamarineira, que inventa nomes para os alimentos e drinques; e Dona Dora, a garçonete mais antiga do Recife, que serve como ninguém as mesas do Buraquinho, no Pátio de São Pedro. Sorrisos, contudo, nem sempre significam atenção e bom atendimento. Assim confessa Glaubinho, do Burburinho, que há dois anos saiu do "salão" para trás do balcão. "Ele como garçom é um ótimo DJ", brinca um cliente do bar. Glaubinho, que fez a fama na extinta Soparia, diz que gosta mesmo é de ser "botador de disco".
 Rodrigo e João Paulo, do Burgogui, incorporam até o sotaque coreano da casa. | Quem vai aos bares do Recife Antigo , já teve a chance de conhecer a gentileza de Yuan Htjay, o China. Sempre disposto, Yuantem 23 anos de profissão, passou pelo curso profissionalizante do Senac e tem na ponta da língua o segredo para a satisfação do cliente: "É preciso saber dominar as mesas". Quanto aos clientes chatos e impacientes, Yuan segue o velho mote de "quem manda é o freguês". Atualmente servindo as mesas do bar Um Zero, Yuan faz questão de diferenciar o atendimento de um bar ao de um restaurante. "Nos bares, não é necessário tanta categoria".
Categoria fica por conta dos garçons do restaurante Leite e de outros estabelecimentos de porte menor, como o coreano Burgogui. O proprietário, Pio Choi, acertou em cheio quando escolheu a dupla de irmãos Rodrigo, 20 e João Paulo dos Santos, 19. Os rapazes "encarnaram" até o sotaque coreano e explicam com detalhes o preparo das refeições, cozinhadas na própria mesa. "Não fizemos curso e quem nos ensinou tudo foi Seu Choi", dizem eles.
"A intimidade com o cliente, porém, às vezes pode atrapalhar a relação. O garçom não deve puxar conversas alheias e nem tampouco sentar na mesa", diz o instrutor de formação profissional do Senac, Zivaldo Nunes. Ensinando novos garçons há 20 anos, Zivaldo frisa a falta de qualificação dos atendentes do Recife. "Vários estabelecimentos, grandes e pequenos, não se preocupam com isso. Qualquer pessoa pode ser garçom e o resultado é esse: um mercado despreparado para o bom atendimento", diz.
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