A menina Lara Menezes Albert, atingida por uma bala perdida enquanto assistia televisão na sala de seu apartamento, em Boa Viagem, na véspera de São João de 2003, prestou depoimento na tarde de ontem na Vara da Infância e da Juventude, no bairro da Boa Vista. Além da criança, também foram interrogados pelo juiz Nivaldo Mulatinho os pais, o irmão e vizinhos da família. Esta foi a segunda audiência do processo.
Na época, a menina chegou a ficar internada por dez dias na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital da Restauração (HR) por conta do tiro que atravessou a sua cabeça. Hoje, Lara tem nove anos e não apresenta seqüelas. O suspeito de efetuar o disparo, o tenente da Polícia Militar, Tibério Gentil Figueirêdo de Lima, filho do coronel José Ramos, chefe da Guarda Municipal do Recife, também esteve presente no fórum. O indiciado pelo crime de lesão corporal grave prestou depoimento em outubro do ano passado. Ontem, ele apenas acompanhou a audiência. Se for condenado, o PM poderá pegar de 1 a 5 anos de detenção.
Os interrogatórios tiveram início às 13h e só terminaram no final da tarde. Antes de começar a sessão, parentes e amigos de Lara Menezes, vestindo camisas a favor do desarmamento, fizeram um manifesto na porta do fórum e pediram justiça. "Se a gente não fizer nada, a violência vai continuar", disse o pai da menina, o professor Antônio Albert Menezes.
De acordo com o laudo do Instituto de Criminalística (IC), a bala que atingiu Lara no dia 24 de junho de 2003 teria partido do apartamento 601 do edifício Notre Dame, onde mora o tenente da Polícia Moilitar Tibério Gentil Figueirêdo de Lima. O apartamento fica localizado a 130 metros do edifício Porto Bello, onde a família da menina reside. Ainda segundo o laudo do IC, a arma utilizada foi uma pistola calibre 380, que pertencia ao coronel José Ramos.
Provas - O tenente Tibério Gentil Figueirêdo de Lima se defende dizendo que faltaram provas para indiciá-lo. Segundo ele, o Instituto de Criminalística não afirmou categoricamente de qual apartamento teria partido o disparo. Além disso, o militar alega que a pistola supostamente usada estava com o pai dele, o coronel José Ramos, na praia de Ponta de Pedras. Naquele dia, somente Tibério Gentil e o irmão haviam entrado no apartamento.
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