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Edição de Quarta-Feira, 3 de Agosto de 2005 
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Opinião
Opinião
Fator de estímulo

A visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva a Garanhuns, para oficializar a sede provisória da recém criada Universidade Rural do município, poderia ser interpretada como parte dos esforços para superar a crise política que ele enfrenta. Contudo, a presença do Presidente da República reveste de merecida e significativa importância o ato que se celebrará naquela cidade, uma das mais destacadas de Pernambuco.

  Sem dúvida, o nascimento de qualquer estabelecimento de ensino público, mormente de grau superior, deve ser recebido como avançado passo em busca de horizontes mais largos, que só se descortinam através da educação. Nas cidades interioranas de praticamente todas as regiões do País e, em especial, no Nordeste brasileiro, as dificuldades para se ter acesso à educação são imensas e, por vezes, instransponíveis.

  As barreiras começam nos primeiros aprendizados, durante os cursos primários, que funcionam sem estrutura, com professores desestimulados e com escolas precárias, onde falta tudo. Até mesmoa merenda escolar, não raras vezes desviada por gestores inescrupulosos, que se beneficiam da falta de informação da comunidade. E assim quer mantê-la.

  Continuar estudando, atingir o nível superior é para a grande maioria dos jovens, ato de heroísmo que inclui sacrifícios e coragem pessoal, no desafio diário de freqüentar a faculdade, quase sempre em municípios vizinhos, vencendo estradas perigosas e horários inconvenientes.

  Para esses jovens, a presença de uma escola superior é fator estimulante. É impossível a qualquer País, principalmente os chamados emergentes, acompanhar o desenvolvimento tecnológico e a competição internacional sem que se prepare a sua juventude, estabelecendo, por intermédio da escola, um lastro de conhecimentos que alcance os brasileiros de todos os quadrantes.

  Recentemente, em uma de suas falas no seu programa "Café com o Presidente", transmitido por rede de emissoras de rádio, o próprio Lula reconheceu que as aplicações em educação não devem ser tratadas como gasto e sim como investimento. E lembrou que não existe na história da humanidade país que tenha se desenvolvido sem investir em educação.

  Foi assim, por exemplo, o que ocorreu com a Coréia do Sul saída dos escombros de uma guerra para assumir, através da educação, uma situação econômica que a coloca hoje no podium de uma das nações mais desenvolvida do Planeta.

  É possível, se não provável, que a visita presidencial a Garanhuns tenha sido programada com os olhos voltados para o marketing político. Mas deve ser vista como uma enorme contribuição ao ensino e às suas causas. Seja qual for a solução para a atual crise política, somente um País razoavelmente educado poderá, com grandeza e sem traumas, enfrentar obstáculos de tais dimensões.


Luiz Gonzaga: um retrato do Nordeste

Fabiano José de Andrade
ESTUDANTE DO CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA FAFICA

As feições da cultura brasileira, tão plurais em suas formas e significações, encontram na obra de Luiz Gonzaga um verdadeiro relicário de criações populares expressadas através de sua música e de sua poesia. Observadas com mais afinco, essas músicas demonstram em seu contexto uma relação de circularidade com o seu meio social de produção e difusão. Dito em outras palavras é a realidade sertaneja em seus múltiplos aspectos, fonte inspiradora destes artistas que criam letras e músicas peculiarizando sua estética, de modo a preservar uma linguagem e instrumentos da região, concebendo uma mensagem assimilável dentro do universo do homem sertanejo.

  Essa abordagem musicada do Nordeste é marcada, sobretudo pelo enaltecimento dos referenciais simbólicos da região, cuja população de um modo geral dedica grande respeitabilidade a essas representações alimentadas nos âmbitos social, cultural e religioso.

  Daí a presença em suas canções de figuras como Lampião, padre Cícero, frei Damião e elementos como as vaquejadas, romarias e os festejos dos santos juninos. Estes mesmos santos para os quais se voltam as preces da população na emergência dos seus problemas também circulam na obra de Luiz Gonzaga quando tomamos por base as festas populares. A dimensão profana desses cultos envolve uma participação maciça no interior do Nordeste, quebrando a rotina de muitas cidades durante o mês de junho. Os versos de "Noites Brasileiras" de Gonzaga e Zé Dantas traduzem fielmente essa comemoração.

  Uma marca inconteste do cancioneiro de Luiz Gonzaga é o retrato que ele traça do Nordeste e dos nordestinos como um todo. Marca esta que, incutida na idéia de retrato, não poderia deixar de abranger as questões socioeconômicas que afligem essa região de forma notavelmente peculiar. Nesse sentido, revela-se o caráter político de sua obra, uma vez que essas canções transcendem a descrição pura da realidade abordando e evidenciando assuntos de interesse coletivo. Assim, a música de Gonzaga respondia aos anseios e inquietações das gentes do semi-árido, muitas vezes condenadas ao êxodo forçado ante a postura dos governos, ora apáticos ora oportunistas. Como exemplo citamos a denúncia de "Asa Branca" ou a crítica de "Vozes da Seca".

  Nas entrelinhas desse legado encontra-se o desenho de um Nordeste idealizado pelo "Rei do Baião", algo evidentemente de acordo com sua experiência de vida e sua visão de sociedade. Livre de utopias e buscas quiméricas é um modelo de região que consiste na superação das enfermidades do povo e suas causas sociais, tendo sempre como ponto de partida uma realidade palpável, ou seja, a seca, a estiagem, a falta de estrutura e todas as conseqüências que delas possam decorrer. E com vistas nessa concepção de Nordeste verde e chuvoso, o sanfoneiro cantou a saudade do retirante e o seu desejo de regressar, o que encontra em "A Volta da Asa Branca" a sua manifestação maior, revelando nesta obra um lado místico que falava com intimidade ao sentimento das pessoas.


Imip, uma instituição eucarística

Assuero Gomes
PEDIATRA

Certo dia, vendo Jesus uma figueira e sentindo fome, foi à cata de seus frutos. Inútil procura, a figueira era estéril e não dava frutos. Infeliz e inútil figueira, dentro de três dias estaria murcha. Seca. Serviria apenas para lenha, ser consumida pelo fogo para, pelo menos, aquecer.

  Uma outra figueira frondosa cresce há quarenta e cinco anos ininterruptos, à margem do Capibaribe. Suas raízes penetram no solo pernambucano e vão por todo o nosso estado e vizinhos. Suas folhas frondosas protegem os mais pobres dos mais pobres. Crianças e mães. Olho e vejo seus frutos, doces figos de vida. Alimentam, curam, saram as feridas.

  Olho e vejo dois profetas cuidando do futuro dos herdeiros do futuro. Fernando e Helder, junto a eles Jesus está, diariamente, apreciando e saboreando os frutos desta árvore. Sob ela sacerdotes de branco fazem seu ofício. Celebram o resgate da vida, pois a verdadeira liturgia é o serviço do samaritano. Celebram a eucaristia, que é a ação de graças contínua ao Criador da Vida pela própria vida, frágil, delicada, que precisa ser cuidada a cada instante, senão fenecerá, como numa hemorragia sutil. Mais que eucaristia, celebram a beraká (encontro-refeição festiva de ressuscitados), sob a tenda de esculápio, cuja serpente que lhe simboliza e que engana a morte, não é outra senão, aquela que foi levantada por Moisés no deserto, para a cura (salvação) de todos, e que prefigura o próprio Cristo na cruz.

  Vejo um templo de verdade sob aquela figueira. Um templo onde emana o conhecimento, a formação de novos sacerdotes, onde emana a luz da sabedoria, onde se partilha o saber em gestos concretos, entre os necessitados. Uma figueira pródiga e fértil, por cujos frutos se faz conhecer. Quem poderá contar os que se abrigaram e se protegeram sob seus ramos? Quem poderá contar quantos abnegados mestres, discípulos, aprendizes, pacientes, familiares, se beneficiaram nessa oferenda contínua de serviço e amor ao próximo? Quem os poderá contar? Acaso serão como estrelas no céu ou como grãos de areia na praia,ou mesmo como os grãos dos trigais que transforma-se-ão em pão? Digo-lhes mais: serão mais numerosos que as estrelas no céu ou mesmo que os grãos de areia, pois para Deus cada ser humano é infinito e cada gesto que se faz a um desses pequeninos é ao próprio Deus que se faz.

  Ali, naquela figueira, acendeu-se uma luz. Luz perene, que brilha e resplandece no amor feito de ações e poesia, pois cada prescrição carrega, por detrás de nomes complicados, certa poesia e encantamento, pois vêm banhadas na luz da esperança da cura. É sempre bom lembrar que todas as pessoas que se aproximaram pela primeira vez de Jesus, era para pedir-lhe a cura de algum mal, em resposta Ele lhes dava além da cura, uma nova luz, um novo caminho de vida. É sempre bom lembrar que a presença do Ressuscitado entre nós é tangível na medida em que suas ações e gestos são tornados presentes entre os mais necessitados e sofredores, mesmo por aqueles que não crêem. Uma instituição há que mantêm acesa essa luz e essa poesia. Uma instituição há que permanece além do tempo. Uma instituição que vela noite e dia como uma sentinela à espreita da manhã de um novo dia para seus pequenos pacientes e suas mães.

  Bendita figueira que cresce às margens do Capibaribe.

  Para todos o(a)s pediatras de Pernambuco que de uma maneira ou de outros nos alimentamos desta figueira, paz, alegria e bem.

e-mail: assuerogomes@terra.com.br


Joseph Stalin

Orlando Morais
ADVOGADO E PROFESSOR

Joseph Stalin, cujo nome por extenso era Iósif Vissariónovich Djugashvili, nasceu em 21 de dezembro de 1878. Órfão aos doze anos de idade, ingressou em seminário, mas logo o deixou para dedicar-se ao jornalismo, quando teve a oportunidade de fazer intensa propaganda revolucionária, vindo a ser preso inúmeras vezes pela polícia do Czar Nicolau II.

  Foi enviado preso para a Sibéria antes mesmo de 1913, de onde fugiu para se integrar ao movimento revolucionário. De novo, ainda em 1913 até 1917, voltou desterrado para a Sibéria, sendo libertado pela Revolução de 1917.

  Foi comissário do exército e exonerado por sua incompatibilidade com Trotski. Logo passou Stalin a ocupar o cargo de secretário-geral do Comitê Central do Partido, posto burocrático que converteu em instrumento para instaurar e conservar sua férrea ditadura, o que ocorreu com a morte de Lênin.

  No dia em que Lênin morreu, Stalin enviou o seguinte telegrama a Trotsky, que estava no sul: "Dizer camarada Trotsky que camarada Lênin morreu subitamente 21 de janeiro seis horas cinqüenta minutos. Morte causada paralisia centro respiratório. Funeral sábado 26 de janeiro. Stalin". Segundo Dmitri Volkogonov,em seu livro Stalin, pág. XIX, assim se pronuncia sobre o assunto: "Ao assinar a mensagem, Stalin deve ter pensado que era chegada a hora da guerra sem piedade pela liderança. "Mas saberia ele que, mesmo que sobrepujasse Trotsky, não se livraria dele. "Os métodos de uma burocracia autoritária, usando a coerção e o aperto dos parafusos que Stalin aplicaria eram exatamente os que Trotsky defendia. "Talvez tenha sido essa uma das razões da tragédia que despontava. "A luta política travada pelos dois, que durou até o momento em que Trotsky foi assassinado, em agosto de 1940, influiu profundamente na perspectiva de Stalin, que considerava Trotsky seu principal inimigo político.

  O segredo de Stalin estava na sua vontade, em seu poder de resistência, na sua energia diante do perigo e na sugestão que desprendia de sua impassibilidade. Lutou contra Trotski atéter conseguido sua expulsão do Partido.

  E por falar em Trotsky, cujo nome verdadeiro era Leiba Davidovich Bornstein, por suas atividades revolucionárias, foi deportado para a Sibéria em 1902, fugiu para Genebra, residiu na França, Bélgica, Alemanha e Inglaterra e fez propaganda marxista. Regressou para a Rússia e tomou parte na Revolução de 1905 com seu jornal "A luta".

  Stalin conseguiu a identificação do Estado com o Partido, convertendo a Secretaria deste na poderosa força estatal, reforçando, assim, a ação da GPU, uma espécie de SNI brasileiro (Serviço Nacional de Informações), na época do chamado Estado Novo de Getúlio Vargas.

  Stalin conseguiu realizar o chamado o plano qüinqüenal. Em 1941 assumiu a chefia do Governo, dirigindo a resistência contra a Alemanha e a contra-ofensiva que deu à Rússia uma eficaz posição na Europa, quando recebeu a ajuda da Inglaterra e dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial.

  Não era sem razão que o chamavam de "homem de aço".


A parceria deve continuar

Josimar Henrique da Silva
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS NACIONAIS (ALANAC)

As comunidades científicas e tecnológicas brasileiras tiveram nas ações e programas direcionados pelo ministro Eduardo Campos, que recentemente deixou o Ministério da Ciência e Tecnologia, um bom aliado no Governo. As indústrias farmacêuticas de capital nacional, seguramente, sempre consideraram o ministro um parceiro governamental que, no exercício do cargo, seguidamente se posicionou de forma clara e inequívoca pelo fortalecimento da pesquisa, inovação e produção dos nossos medicamentos, por reconhecê-los estratégicos ao desenvolvimento do Brasil.

  Nos 18 meses em que esteve à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia, o ministro realizou um trabalho fundamental no desenvolvimento da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, que direciona as suas ações para quatro setores que o Governo Lula considera prioritários e estratégicos para o País - as áreas de semicondutores, software, fármacos e medicamentos e bens de capital. Focou, ainda, em outros objetivos estratégicos nacionais, como os programas espacial e nuclear, a inclusão social e o desenvolvimento da ciência de base. Foi também o grande articulador no Congresso Nacional para a aprovação das leis de Biossegurança e de Inovação Tecnológica. A Lei de Inovação Tecnológica é prioridade para a nova política industrial. Ela veio num momento importante para ampliar o trabalho conjunto da universidade e dos centros de pesquisa do País com a empresa brasileira, agregando valor à produção nacional, com reflexos no mercado externo.

  Ao longo de um ano e meio, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac) desenvolveu uma proveitosa parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Demandas do setor há muitos anos reclamadas começaram a ser analisadas por orientação direta do ministro. São demandas que se referem à necessidade de formação de recursos humanos, à importância da política de compras governamentais para o sucesso de P&D, o apoio à pesquisa pré-clínica e clínica, o incremento à pesquisa de fitoterápicos (indispensável à produção nacional de medicamentos brasileiros acessíveis à camada mais pobre da população), a disponibilidade de bolsas para pesquisadores nas empresas que Eduardo Campos assegurou garantindo a ida do pesquisador bolsista para conduzir a pesquisa na própria empresa. Na mesma linha de importância, solicitamos ao ministro o desenvolvimento de um núcleo de apoio à propriedade industrial de fármacos; pesquisa cooperativa em biotecnologia e nanotecnologia; desenvolvimento de software e hardware para o setor, desoneração para a carga tributária, elaboração conjunta de edital para a indústria farmacêutica e, por fim, apoio à criação de dois Arranjos Produtivos Locais a serem implantados no próximo ano. São ações que vinham sendo desenvolvidas com o ministro Eduardo Campos e que se encaminham para consolidar os projetos de pesquisa e inovação tecnológica do parque industrial de medicamentos do País. Para ocupar o MCT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o talentoso e competente físico Sérgio Rezende, respeitadíssimo nas academias brasileira e internacional, e que fez a Finep sair da inércia em que estava mergulhada, para o movimento que hoje observamos, tornando-se de fato, uma instituição importante para a pesquisa brasileira. A Alanac dá as boas-vindas ao novo ministro. Os laboratórios nacionais confiam que a sucessão no MCT não interrompa o curso desses trabalhos.

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