Apesar de o Governo federal garantir que o projeto de transposição em nada afetará os povos indígenas, o Ministério da Integração Nacional se comprometeu a realizar algumas benesses para o povo Truká, cujo território fica cerca de 30 quilômetros de onde partirá o Eixo Norte (canal) de captação das águas. Segundo o coordenador-geral do projeto, Pedro Britto, o exército irá pavimentar a estrada que corta toda a Ilha de Assunção para facilitar o escoamento da produção de arroz. Além disso, um convênio com o município de Cabrobó (PE) prevê a recuperação de 150 casas da aldeia.
"As obras serão iniciadas imediatamente. Isso não é uma forma de compensação, já que temos a segurança de que a interligação não irá afetar nenhum dos povos ribeirinhos. No entanto, compreendemos que é nossa tarefa tentar melhorar a vida dessas pessoas", justifica Pedro Britto. Ele não soube informar quanto será gasto. Britto acha justificável o temor do povo Truká quanto à transposição, devido à sua complexidade. "Que os índios tenhammedo do rio secar ainda entendemos. O inadmissível é um técnico fazer essa afirmação", diz.
Mas é justamente esse o principal temor dos índios. Seu Manoel Procópio, 59 anos, acha que Deus não ficará satisfeito com a mudança que o homem quer fazer no curso do rio. "Quem já viu mexer no que Deus deixou já pronto. A natureza tem limite e não vai agüentar isso. Não tenho dúvida de que em poucos anos o São Francisco vai secar", alerta. A sua esposa, dona Maria de Lourdes, 49 anos, também se criou na beira do rio e diz entender a mensagem que ele vem passando. "Nos rituais, os antepassados nos pedem para seguir e não deixar o Governo fazer essa malvadeza. Choramos, porque entendemos que o homem branco quer matar a nossa principal bênção", fala, emocionada.
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