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Atualizado em 22|05|2005 
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Conexões perigosas
Juliana Pessoa
Especial para o DIARIO
Pais se preocupam com o conteúdo acessado pelos filhos na internet, mas especialista garante que o melhor é criar possibilidades para que eles estabeleçam a auto-censura

MSN, Orkut, Kaaza, fotologs, blogs... Os endereços eletrônicos e os assuntos abordados são os mais diversos, mas os visitantes são os mesmos: adolescentes que, crescendo lado a lado com o desenvolvimento veloz da tecnologia, passam horas, todos os dias, navegando na internet, entrando nos sites mais diversos e, nem sempre, conferindo um conteúdo confiável aos olhos dos pais. O mesmo meio que pode proporcionar um mergulho no mundo da informação, também pode ser a porta de entrada para um mundo nada instrutivo.


Guilherme Ruas, 15, gasta até sete horas diárias na web entre o Orkut e o MSN, mas também gosta de navegar em outros mares. Foto: Hélder Tavares/Especial para o DIARIO.
  O primeiro impulso dos pais mais preocupados é bloquear no computador de casa sites considerados por eles impróprios, como os endereços de pornografia ou de culto às drogas e outros temas. Entretanto, controlar o acesso do filho a internet é tarefa árdua, tanto em relação ao número de horas conectadas à rede como ao tipo de conteúdo em que o jovem está navegando. "Hoje você tem tantos pontos de acesso, tantos lugares onde o jovem entrar que eu acho inviável o controle desse tipo", comenta o psiquiatrapaulista Jairo Bouer, que esteve recentemente no Recife para uma palestra sobre a relação entre pais e filhos.

  Depois de estudar, Bruno Cartaxo, 15, passa cerca de quatro horas e meia conectado à rede. Entre os endereços favoritos, fotologs e sites com programas de jogos como Elifoot e The Sims têm lugar de destaque. "Uso muito pra pesquisa da escola também, é mais fácil por que é só imprimir", entrega o garoto. Na hora de escolher as pages, Bruno explica que gosta das culturais com programação e que não tem curiosidade de entrar em sites para adultos.


Bruno Cartaxo, 15, passa cerca de quatro horas e meia ligado à rede e garante que não tem curiosidade de entrar em sites adultos. Foto: Alcione Ferreira.
"Acho que ainda não é a idade certa para entrar nesses", admite ele, que tem o tempo que passa navegando controlado pela mãe. Como todo típico adolescente internauta que se preze, o estudante Guilherme Ruas, 15, não abre mão das cerca de sete horas diárias na internet. "Chego em casa e conecto logo, até quando estou vendo TV, faço as duas coisas ao mesmo tempo", conta. Além dos sites da moda, como o Orkut e o MSN, Guilherme também gosta de navegar em outros mares. "Sempre entro para ler notícias e, às vezes, vou no site Paparazzo ou o da Playboy, mas só às vezes", enfatiza, tímido.


Bouer alerta que a seleção deve ser feita pelo próprio adolescente e que de nada adianta os pais quererem inibir o acesso a sites considerados impróprios. Foto: Edvaldo Rodrigues.
  Com a internet já incluída na rotina dos adolescentes, fica difícil controlar o acesso a alguns endereços. Contudo, Bouer exemplifica que do mesmo jeito que, há alguns anos, garotos na faixa dos 14 anos tentavam conseguir revistas pornográficas em bancas, hoje, os jovens desta idade têm a mesma curiosidade de entrar em sites desse tipo. "É importante que ele não vá só por aí, que saiba entender que a internet é uma ferramenta importante pra ele achar todo tipo de informação, que ele pode tirar dúvidas sobre sexualidade, drogas, fazer um trabalho legal para escola".

  Bouer alerta, no entanto, que essa seleção deve ser feita pelo próprio adolescente e que o dever dos pais e das escolas "é criar possibilidades para que ele entenda, filtre melhor o que é bom e o que não é legal pra ele, criar um filtro melhor pra ele e que ele mesmo use esse filtro". Guilherme concorda. "Sei dos meus deveres, do que tenho que fazer, então, sei quando é hora de desligar o computador e estudar", diz ele que ainda usa a rede pra falar com a namorada que mora em Santos (SP).

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