RIO - Num país onde 27,9 milhões de pessoas nunca viram um dentista, os avanços nos serviços de saúde caminham a passos lentos. É o que mostra a pesquisa do IBGE, elaborada com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2003. Houve uma ligeira melhora em quase todos os indicadores. Os brasileiros avaliam melhor a própria saúde. No entanto, o panorama traçado pela pesquisa revela que persiste um grande abismo entre ricos e pobres quando se fala em saúde. Um em cada quatro brasileiros dispensa o Sistema Único de Saúde (SUS) e tem plano privado, mas a parcela que se diz menos saudável é a que tem menos acesso ao atendimento.
"A pesquisa mostra que a política de saúde está no caminho certo, mas não foi capaz ainda de corrigir desigualdades", analisou Cláudia Travassos, pesquisadora do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou os resultados. "Quem mais precisa é quem tem o menor acesso aos serviços". Esta é a segunda vez quea Pnad avalia o acesso e a utilização dos serviços de saúde nos mesmos moldes. A primeira pesquisa foi feita em 1998. O IBGE visitou mais de 133 mil domicílios em todo o País, exceto o Norte Rural, em 2003. Foram entrevistadas 384,8 mil pessoas.
Idosos - Segundo a pesquisa, 30% dos brasileiros sofrem de doenças crônicas, aquelas que acompanham o indivíduo por longo tempo. Como no Brasil a população idosa é cada vez maior, é preocupante a revelação de que as doenças crônicas afetam 77,6% dos que tem mais de 65 anos.
"Os gargalos na saúde são o enfrentamento das filas e o atendimento especializado", admitiu o ministro da Saúde, Humberto Costa, durante a divulgação dos resultados. Ele reconheceu que a saúde bucal e a da mulher são dois setores que precisam ser aprimorados e lembrou que, com o envelhecimento da população, o sistema de saúde está se tornando cada vez mais caro.
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