Berlim tem o dom de se recriar permanentemente, tantas foram as guerras e destruições que enfrentou ao longo da sua história. Arrasada ao final da 2ªGuerra Mundial em 1945, dividida nos anos 60 e novamente unida 30 anos depois, encarou a tudo com determinação para se manter única e arrojada em padrões arquitetônicos e estéticos. As novidades para quem vai para lá não param de surgir. Hoje, a Alemanha inaugura o Monumento aos Judeus Assassinados da Europa, ou Memorial do Holocausto, como é chamado por todos. De 1961 até 1989, passava exatamente ali o alinhamento do muro construído pela comunista República Democrática Alemã (RDA) entre as partes ocidental e oriental de Berlim. Durante a Guerra, estava no mesmo local o abrigo antiaéreo do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels.
O memorial fica no centro da cidade, onde ainda há muita história para quem chega e recorda os seis milhões de judeus que foram assassinados nos campos de concentração nazistas. A obra criada pelo arquiteto norte-americano Peter Eisenman, 63 anos, ocupa uma área do tamanho de quatro campos de futebol - no total são 19 mil metros quadrados. Visto de cima, os blocos de concreto parecem um campo de pedras. Ele está localizado a menos de cem metros do Portão de Brandemburgo, uma das regiões nobres da capital. "Nosso objetivo é honrar os mortos", afirmou a jornalista Lea Rosh, presidente da Fundação pela Construção do Memorial aos Judeus Assassinados na Europa e idealizadora da obra. A expectativa é que mais de 5 milhões de pessoas visitem-no anualmente.
O memorial lembra um cemitério e tem um centro subterrâneo de informações sobre o holocausto. Nele estará contada a história de 14 famílias judaicas vítimas do regime nazista. Ao entrarem no local, os visitantes também poderão ouvir os nomes de judeus assassinados nos campos de concentração.
Entre a idéia do memorial, em 1988, e a sua inauguração, houve várias polêmicas. A mais famosa envolveu a empresa Degussa, que participou da construção fornecendo material para proteger as colunasde eventuais pichações. Durante a 2ªGuerra Mundial, uma subsidiária da Degussa forneceu aos nazistas o gás Zyklon B, usado para o extermínio em massa de judeus nos campos de concentração. A revelação de que a empresa química participava da obra causou polêmica no meio judaico e o projeto chegou a ser interrompido.
Os visitantes terão acesso ao monumento pelos quatros lados. "Não há uma entrada, um meio, um fim. Os caminhos são estreitos entre as lápides cinzentas. É uma paisagem memorial, que consterna, uma abstração do horror, que aliás nunca se deixa expressar por palavras", afirma a agência alemã Neus Deutschland. O arquiteto Peter Eisenman quis construir o monumento como um lugar de silêncio. "Ele deve ser tão silencioso como uma pessoa em Auschwitz", afirmou.
O memorial será, a partir de agora, o lugar central da Alemanha para a recordação do holocausto - mas não é o único. A memória das vítimas é relembrada em muitos outros lugares, seja nos memoriais de campos de concentração como em Buchenwald ou emDachau, ou no encontro de jovens com testemunhas da época durante aulas de história. Ao lado do novo Memorial do Holocausto, também fazem parte o centro de documentação Topografia do Terror e o Memorial da Resistência Alemã.
Serviço
www.lernen-aus-der-geschichte.de
www.eisenmanarchitects.com
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