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Edição de Sexta-Feira, 13 de Maio de 2005 
Especial | A beleza sensual do Visconde
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Especial Joaquim Nabuco
A beleza sensual do Visconde
No Império nem sempre pessoas da condição social e financeira de Nabuco e Eufrásia casavam por amor. O mais comum era que o casamento fosse arranjado, e aí a combinação ideal era a de um homem de prestígio e poder com uma mulher herdeira de grande fortuna. A prática era tão comum que às vezes o noivado era anunciado de surpresa - e os noivos descobriam naquele momento que eram noivos. Foi o que aconteceu com um dos amigos de Nabuco, o visconde de Taunay, que durante um banquete descobriu estar noivo e com data marcada para casar. Mas não reclamou; a noiva era filha de um dos barões de café de Vassouras (e prima de Eufrásia). Tanto Nabuco quanto o visconde tinham em comum a beleza física. Do primeiro, todos os que escreveram sobre ele ressaltaram de forma elogiosa o seu porte físico - ressalve-se que todos os que escreveram eram homens e naquela época era ainda mais inusitado do que hoje homem elogiar beleza de homem. Já o visconde - que voltara como herói da Guerra do Paraguai- tinha uma beleza diferenciada: atraía tanto mulheres quanto homens. Um fotógrafo sueco que estava então trabalhando no Brasil apaixonou-se por ele. Um fazendeiro paulista também encantou-se pelo herói. Em suas Memórias, o próprio Taunay conta a história, mas de forma bem-humorada e sem nenhuma conotação erótica. A julgar pelo que ele mesmo escreveu, era outro o seu campo de batalha.Durante a Guerra do Paraguai foram freqüentes seus encontros com uma índia da tribo Guaná, a "Bela Antonia", de quem diz ter ficado com uma "indestrutível lembrança de frescor, graça e elegância que jamais as filhas da civilização poderão destruir ou desprestigiar". Fala também de outros assuntos, criticando figurões do Exército e do Império. Não poupa escritores consagrados, como José de Alencar - a linguagem dos índios que apareciam em seus livros, dizia, era tão recheada de metáforas que tudo levava a crer serem aqueles indígenas capazes de ensinar português em Portugal. Foi igualmente ferino com o poeta nacional, Gonçalves Dias, aquele dos versos "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá". Com a experiência de quem havia estado no campo durante anos, ironizou: "Nunca vi um sabiá cantando em palmeira". Morreu em 1900, com 56 anos.
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