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Nos Diários, o homem e o político
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Textos inéditos mantidos em segredo durante mais de 100 anos serão lançados em 19 de agosto, no Recife |
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Quase 100 anos depois de sua morte, os Diários inéditos de Joaquim Nabuco finalmente serão publicados. A obra tem 866 páginas, distribuídas em dois volumes. Abrange o período da vida de Nabuco de 1874, quando ele contava 25 anos, até 1910, quando morreu. Os livros já estão impressos e o lançamento será no Recife, em 19 de agosto, data do nascimento dele. Tem edição, prefácio e anotações de Evaldo Cabral de Mello. O lançamento é da Editora Bem-Te-Vi (RJ), em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco. A obra constitui-se no segundo material inédito de Nabuco revelado ao público; o primeiro foi o processo do escravo Thomaz (ilustração ao lado).
Os Diários interessam não só para os estudiosos de Nabuco, mas da história do Brasil - é o testemunho direto, sem intermediários, de um personagem que atravessou com papel de destaque o Império e o início da República. E que teve como interlocutores (e desafetos) nomes importantes de um e outro regime. "É um acontecimento histórico, extraordinário", considera o historiador Fernando Gouvêa, autor de obras sobre o abolicionista e que em suas pesquisas chegou a consultar trechos dos Diários. "Ele escrevia em cadernos de capa dura. A maior parte das vezes, notas curtas, telegráficas". Para ele, o livro vai servir de impulso para novos estudos sobre Nabuco. "Todos nós estamos vibrando com a publicação", diz.
A demora na publicação dos Diários deveu-se ao sentimento dos filhos de Nabuco, que consideravam ser ainda cedo para divulgá-los. Muitas das pessoas estavam vivas ainda e poderia haver constrangimentos. A neta, Vivi Nabuco, decidiu agora fazer a publicação (os filhos delee stão todos mortos). "Não havia mais sentido em mantê-los inéditos", explica ela. "Chegamos à conclusão de que era um material de interesse para a História".
A dimensão de líder político e social é o que se sobressai dos Diários, mas neles há também revelações pessoais. Traz a confirmação, por exemplo, que ele teve uma filha na Inglaterra, de uma mulher com quem não casou - o fato não aparece em nenhumadassuas biografias. A filha inglesa também já morreu. "Ele teve uma filha natural, a quem nunca deixou de ajudar", firma Vivi Nabuco, acrescentando que ele chegou a enviar carta ao Barão do Rio Branco, pedindo que ele destinasse à mãe da menina uma determinada soma em dinheiro.
Ela afirma que os Diários estão sendo publicados na íntegra. Os trechos são em sua maior parte "telegráficos", mas há também notas mais longas. Neles o autor desenvolveu temas que iriam enfocar mais aprofundadamente em livros. Fora a questão da filha - que ocupa um pequeno trecho da obra -, não há nos Diários revelações picantes, como as que Gilberto Freyre dizia sentir falta nas memórias publicadas de Nabuco. "Ele era um homem do século XIX. Extremamente discreto", diz Vivi.
A publicação foi precedida do trabalho de especialistas, que cuidaram das pesquisas e transcrição dos textos. O professor-doutor Miguel Barbosa do Rosário (Universidade Estácio de Sá) e o professor Eduardo Coelho (UFRJ) coordenaram a transcrição. Coube ao professor-doutor Ronald Raminelli (UFRJ) realizar a pesquisa iconográfica para a obra, que tem 165 imagens.
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