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Edição de Sexta-Feira, 13 de Maio de 2005 
Especial | "Nosso liberalismo jamais pensou a questão social"
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Especial Joaquim Nabuco
"Nosso liberalismo jamais pensou a questão social"
Ocientista político Marco Aurélio Nogueira é o autor do primeiro livro sobre o pensamento político de Joaquim Nabuco. Foi As Desventuras do Liberalismo - Joaquim Nabuco, a Monarquia e a República, lançado em 1984 e hoje esgotado. Até então os trabalhos de maior fôlego sobre o líder abolicionista haviam sido biografias. Marco Aurélio mostrava a fase de reformador social de Nabuco, no período abolicionista, e a fase conservadora dele, aquela que se segue à Proclamação da República. A partir daí outros autores embrenharam-se pela trilha aberta por ele, possibilitando um maior aprofundamento dos estudos sobre Nabuco. Hoje Marco Aurélio é professor de Teoria Política da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Nesta entrevista ele endossa as opiniões de Gilberto Freyre, de que o líder abolicionista fora uma personalidade política múltipla, mas ressalvando: "Os diferentes Nabucos não conviveram caoticamente, superpondo-se e misturando-se uns aos outros". Teve fases distintas, cada qual com uma agenda específica, contradições e muitas revisões. Permeando tudo, um ponto em comum: "Ele nunca deixou de pensar o País e sempre foi muito sensível aos dramas nacionais". Foi um tipo de liberal que, na opinião de Marco Aurélio, seria ótimo se pudesse ser importado para os dias de hoje. Entende que o espaço para o liberalismo com preocupação social foi "dramaticamente reduzido" não só no Brasil, mas no mundo. Quem, nos dias atuais, consegue escapar dessa camisa de força acaba tornando-se um tipo especial, igualmente raro: o liberal-socialista, forçado, diz Marco Aurélio, "a incorporar temas e inflexões que não obtêm guarida em sua doutrina de origem".
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