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Edição de Sexta-Feira, 13 de Maio de 2005 
Especial | A primeira "queima de arquivos"
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Especial Joaquim Nabuco
A primeira "queima de arquivos"
A memória de Rui Barbosa paga até hoje o preço de ter sido dele a ordem para queimar os arquivos da escravidão mantidos no Ministério da Fazenda. Documentos, livros de matrículas, papéis diversos - virou tudo fumaça. O ato - que gerou a expressão "queima de arquivo" - aconteceu já na República, quando Rui era ministro da Fazenda (gestão de 1890 a 1891). A versão que se espalhou depois, sobrevivendo até os dias atuais, é que ele queria apagar da memória nacional os horrores da escravidão. Ao longo dos anos a atitude despertou uma onda de insatisfação. Embora o assunto ainda seja controverso, predomina a explicação de que o motivo da "queima dos arquivos" foi outro. O ministro Rui Barbosa queria na verdade impedir que prosperasse o movimento pró-indenização articulado pelos ex-senhores, que reivindicavam a compensação financeira pela libertação dos escravos. O movimento explodiu na República, regime para o qual já se havia bandeado a classe de produtores rurais e dos ex-senhores. A destruição da papelada fiscal era um golpe de morte na pretensão deles. O assunto virou livro: Rui Barbosa e a queima dos arquivos, publicado em 1988, de autoria de Américo Jacobina Lacombe, Eduardo Silva e Francisco de Assis Barbosa. É o mais profundo levantamento sobre o episódio. Escassamente mencionada hoje, a mobilização dos ex-proprietários de escravos pela indenização "avolumou-se de modo inquietante", diz Francisco de Assis Barbosa, na apresentação da obra. A ponto de requerimento pró-indenização cumprir todos os trâmites e ir bater na mesa do ministro Rui Barbosa. Ele indeferiu o pedido, afirmando: "Mais justo seria, e melhor consultaria o sentimento nacional, se se pudesse descobrir meio de indenizar os ex-escravos, não onerando o Tesouro". O livro destaca que a decisão de destruir os arquivos ocorreu "num momento ainda confuso, e indefinido para a sorte da República". Define a atitude de Rui Barbosa como "radical e temerária", mas ressalva que ela "foi acolhida com entusiasmo pelos setores progressistas", incluindo os integrantes do movimento abolicionista.
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