RIO - O presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles, classificou ontem como "positiva" a decisão do Supremo Tribunal Federal de autorizar a abertura de inquérito contra ele e afirmou que continuará no cargo enquanto durar a investigação. "Considero positiva a decisão, porque ela vai permitir que os questionamentos sejam analisados de forma adequada e isenta de motivações políticas", declarou Meirelles em entrevista concedida depois de sua participação no 17º Fórum Nacional, no Rio.
Apesar de Meirelles afirmar que a decisão é "positiva", seus advogados tentaram nos últimos dias impedir a abertura de inquérito. O presidente do BC chegou às 18h ao edifício do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), onde foi realizado o Fórum Nacional. Para driblar repórteres, fotógrafos e cinegrafistas que o aguardavam na porta do elevador privativo, Meirelles subiu por outro elevador e foi diretamente para a sala do evento.
Depois do evento, em entrevista coletiva, Meirelles disse quea investigação lhe dará oportunidade de mostrar que sua vida "sempre foi pautada pela legalidade, pela ética e pela transparência". Acrescentou que se sente "absolutamente confortável" no cargo e evitou fazer previsões sobre reações do mercado à decisão do STF.
O presidente do BC considerou como "parte da democracia" a sugestão do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), de que ele se afaste do cargo durante as investigações.
Os advogados do presidente do BC afirmaram que irão pedir que a corregedoria geral do Ministério Público Federal investigue o vazamento dos dados pessoais de Meirelles à Imprensa. O advogado Cláudio Fruet classificou de "absurdo" o fato de documentos como declarações de Imposto de Renda tenham sido divulgados pela Imprensa. A possibilidade de Meirelles se afastar do cargo enquanto durarem as investigações foi afastada por Fruet.
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