Jovens reservam espaço nas agendas para o voluntariado e descobrem novas formas de enxergar e dialogar com o Mundo
 Célia Raquel, 20, organiza campanhas de arrecadação de alimentos, roupas e brinquedos que são doados a asilos, creches e comunidades. Fotos: Edvaldo Rodrigues. | Célia faz cursinho pré-vestibular e curte passear com os amigos no shopping. Mônica, que não dispensa um show de forró no fim de semana, forma-se daqui a três anos em Terapia Ocupacional, e Caetano é adepto do estilo rock e pretende seguir a área de Turismo. Em comum, jovens que nutrem sonhos e se dedicam a projetos pessoais, mas também sabem se divertir nas horas vagas. Para eles, o futuro de cada um não depende apenas daquilo que fazemos para o bem próprio. Conscientes dos males sociais que assolam o Mundo, eles também dão sua fatia de contribuição para ajudar aqueles que necessitam de apoio e afeto. Junto a hospitais, igrejas, comunidades ou mesmo por conta própria, surge uma nova legião de anjos, inspirados nos valores do altruísmo e da solidariedade, que abrem espaço em suas agendas para agir em prol do outro.
Três vezes por semana, Célia Raquel, 20, atua como voluntária da Igreja Católica Nossa Senhora de Fátima, em Boa Viagem. Desde 2002, ela participa do grupo Kyrios, formado por 70 jovens da paróquia, com mais de 15 anos de idade. Nas reuniões aos domingos, eles organizam campanhas de arrecadação de alimentos, roupas e brinquedos que são doados a asilos, creches e comunidades vizinhas, entre elas a Padre Giordano, Entra a Pulso e Beira Rio. Para Célia, diminuir o sofrimento de pessoas carentes é recompensador. "É muito gratificante ver o brilhinho no olhos delas. A gente também transmite o nosso aprendizado", explica a jovem solidária, que ainda criança cedia parte do seu tempo para apoiar campanhas no prédio e na escola.
 Caetano Cordeiro, 21, passou a valorizar a vida trabalhando no HCP. | Em alguns casos, a vocação altruísta pode ser despertada mais tarde. Mônica Oliveira, 21, é uma das voluntárias do Imip. Há um ano, ela trabalha como recreadora do setor de odonto-pediatria do hospital infantil. Por gostar de lidar com crianças, a universitária dedica quatro horas por semana para acompanhar os pequenos pacientes em atividades lúdicas. Entre uma brincadeira e outra, como empilhar peças de madeira e ensinar a escovar os dentes, Célia conversa com as crianças. "Aprendia ter uma outra visão de vida. Uma vez, uma criança com deficiência visual me ensinou que não é preciso ter olhos para perceber o mundo ao redor", conta. Ela confessa que, às vezes, é cansativa a rotina entre a faculdade e o voluntariado, mas que a força de vontade acaba superando o estresse. "Já construí amizades com muitas delas, que fazem questão de vir me ver. Há uma troca de energia e carinho muito boa. É um ambiente gostoso", atesta.
 Na Odonto-pediatria do Imip, Mônica Oliveira, 21, faz amizades e se sente reconfortada com a troca de energias. Foto: Fotos: Alejandro Zambrana/Especial para o DIARIO. | O aprendizado para a vida também é uma experiência relatada por Caetano Cordeiro, 21, voluntário do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP). Ele, que desde dezembro passado orienta os pacientes na sala de espera de atendimento, a maioria mais velhos, diz que passou a valorizar ainda mais sua vida depois que se viu diante do sofrimento alheio. "Os pacientes chegam muito fragilizados. Eles contam sua histórias, algumas chocantes, e tento acalmá-los da melhor forma possível", relata. Oferecer conforto e compreensão é uma constante no papel desse jovens solidários, que tambémpodem prestar assistência a colegas de mesma idade. "Jovem dialogando com outro jovem é mais fácil, um sabe o que o outro pensa", opina Célia. "O número de jovens engajados ainda não é suficiente, mas aqueles que atuam estão dando o máximo de si", aposta.
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