Talvez Brasília seja, entre os grandes centros, o que mais se mobiliza em favor dos pedestres. Talvez o Recife seja exatamente o contrário. Tudo porque a cidade, como a maioria, habituou-se a colocar os verdadeiros donos das vias públicas no último degrau da escala de prioridades. Antes de olhar para a desproteção a que eles estão sujeitos, misturados a carros e buracos, é bom esticar os olhos em direção às calçadas: a lei destinada a melhorá-las caminha para virar lenda. Expulsos para o leito das ruas, numa disputa desigual de espaço com automóveis, os pedestres, aí sim é que ficam fragilizados. Falta o básico, como faixas para travessia. A revitalização do Cais da Aurora, por exemplo, valorizou a rua em toda a sua extensão, mas esqueceu deles. Lá, famílias de pelo menos quatro edifícios se queixam que faltam faixas para pedestres, e apenas uma garante travessia segura na altura da Assembléia Legislativa, perto de onde estudam centenas de alunos. Aliás, cá para nós, no quesito sinalização, sobretudo horizontal, a CTTU está longe de emocionar. Nenhum avanço, nenhuma mudança de postura em relação ao comportamento dos antigos administradores do trânsito da cidade. Nisso é que o dinheiro graúdo das multas nascidas nas lombadas eletrônicas não está sendo aplicado mesmo. Mas o bom senso diz que deveria.
A limpo Até a Igreja Católica resolveu passar a limpo a controversa transposição do rio São Francisco. Faz debate, hoje, às 19h30, com o diretor de Engenharia da Chesf, José Ailton de Lima, e o representante da Cáritas Nordeste III, Luiz Cláudio Mandela, na sua nova sede da rua Dom Bosco. Nem sobre esse tema há consenso: enquanto religiosos da Bahia descem a lenha no projeto, os da Regional Nordeste II, da qual Pernambuco faz parte, dizem amém.
Adesão E para não dizer que ficou de fora da campanha do desarmamento, a Arquidiocese de Olinda e Recife resolveu ceder ao apelo do movimento nacional. Pela primeira vez, aceitou abrir as portas de seis das suas igrejas para o recolhimento de armas e vai discutir de que forma poderá colaborar mais de perto com o trabalho. Também adora o provérbio antes tarde do que nunca.
Menos, menos Ontem, ao apresentar, junto com o Mapa da Violência, as situações "equacionadas" por sua pasta, o secretário de Defesa Social, João Braga, se deu alguns pontinhos ao citar a trégua nosataques de tubarões em Boa Viagem e Piedade. Só deixou de esclarecer que há tempos os banhistas, mortos de medo, não colocam os pés na água.
Exploração Desconstruir a fama do Recife como destino predileto de aventureiros que só vêem a cidade como paraíso para a exploração sexual de crianças e adolescentes é uma briga que as ONGs também abraçaram. A Ciaf, que atua aqui e em São Paulo, trouxe a juíza da Suprema Corte de Paris, Marie Dominique Vérgez, especialista no assunto, para conversas com várias esferas de poder, começando pela seara dela - a Justiça.
Direitos O estupro por si só já se traduz numa humilhação extrema para a vítima e a exigência de BO policial para que ela tenha direito a fazer aborto na rede pública de saúde, humilhação ao quadrado. Essas e outras pedras no caminho das mulheres vão ser discutidas no seminário Política Nacional de Direitos Sexuais e Reprodutivos, aberto, às 8h30 de sexta-feira, no Mar Hotel, pelo ministro Humberto Costa.
Urgentíssimo O cruzamento entre as ruas João Cardoso Aires e Sá e Souza, em Setúbal, já merecia da CTTU bem mais do que uma simples placa afixada em um poste, alertando que trata-se de um ponto perigoso. Na tarde de domingo, outro acidente de proporções gravíssimas, entre um Fiat e um Gol, aumentou a lista de vítimas. A necessidade de um semáforo já vem de longas datas.
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