Desgastado politicamente pelas constantes gafes e incontinência verbal, chegando a ser vaiado no ato público de 1º de Maio, em São Paulo, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), tem um novo projeto para divulgar a sua gestão e a imagem da Casa. Além da criação de um canal de televisão aberto, ele quer agora um canal de rádio OM, de ondas médias, para que sua mensagem chegue a "todos os recantos do País", como diz esboço de ofício que será enviado ao ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. As OMs são rádios de longo alcance, como a Voz da América, a BBC de Londres e a Rário Vaticano.
O projeto da TV aberta enfrenta resistências internas. O primeiro secretário, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), já determinou o corte no orçamento do projeto de R$ 6 milhões para R$ 3 milhões. "Seria uma Rede Globo sem audiência", diz Inocêncio. "Vamos concluir o projeto, mas simplezinho, como deve ser", acrescenta o primeiro secretário, criticando uma obra que teve início da gestão do presidente João Paulo Cunha (PT-SP). Ele afirma ter ficado impressionado com a parte do projeto que já estava pronta. A sala de entrevistas coletivas, repleta de refletores e com decoração caprichada, parece mais um estúdio global, segundo a sua definição. O primeiro secretário acha que a Câmara deveria apenas manter a sua TV a cabo. "Não faz sentido concorrer com as grandes emissoras", opina.
A intenção de Severino com a implantação da rádio OM é mostrar que a Câmara trabalha, e muito. Essa mensagem seria dirigida principalmente às regiões mais distantes, do Norte e do Nordeste, onde a audiência de rádio é maior. Ele quer transmitir as sessões das comissões e do plenário ao vivo, além de programas noticiosos e culturais.
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