Rodrigo Bueno mostrou em uma matéria na Folha que hoje as mais valorizadas equipes de seus países, como Barcelona, Milan, Chelsea, Psv, Lyon, Bayern, são as que têm melhores defesas. A menor média de gols sofridos em campeonatos nacionais da Europa é a do Chelsea com 0,37 gol por partida.
Mas esses times não são os melhores de seus países porque priorizam demais a defesa. Há outros motivos. Todas essas equipes possuem também ótimos ataques, mesmo não sendo em alguns campeonatos as que fazem mais gols. São times equilibrados, como desejam os treinadores.
O Barcelona é bastante ofensivo. Além de três atacantes, dois meias e dois laterais que apóiam muito, a equipe marca por pressão e joga sempre no campo do adversário. Em compensação, deixa muitos espaços nas costas de seus zagueiros.
No campeonato espanhol, contra equipes piores, o Barcelona sofre poucos gols, principalmente, porque domina o jogo e dá poucas chances para o contra-ataque. Já na Copa dos Campeões da Europa, o time sofreu cinco gols em duas partidas contra o Chelsea. Recentemente, levou quatro gols do Real Madrid.
Da mesma forma, Chelsea e Milan dominam totalmente a maioria das partidas dos campeonatos nacionais. Por isso, sofrem poucos gols. O Chelsea tem também muitos cuidados defensivos. Apesar de jogar com três atacantes, os dois pelos lados recuam e marcam no próprio campo. Ficam nove jogadores atrás da linha da bola. Porém, na Copa dos Campeões, contra melhores equipes, aumentou muito o número de gols sofridos.
O Milan defende com mais jogadores do que o Barcelona e com menos do que o Chelsea. Só os dois atacantes permanecem fixos à frente. Kaká ajuda na marcação. Diferentemente do Chelsea e do Barcelona, o Milan mantém na Copa dos Campeões a pequena média de gols sofridos. Por essa razão e pela qualidade individual dos defensores, o Milan tem a melhor defesa da Europa.
Para os times que possuem ótimos jogadores, como Chelsea, Milan e Barcelona, ainda vale a antiga máxima de que a melhor defesa é o ataque.
Perder peso
Corinthians e São Paulo começaram mal o brasileiro. O São Paulo ficou desamparado sem o Leão. A maioria dos atletas brasileiros não sabe o que fazer sem as ordens, broncas e gritos dos treinadores. Eles adoram um chefe disciplinador. Sentem-se mais seguros. Felizmente, há exceções.
Não foi surpresa a vitória do Botafogo. O jogo foi no Rio, o time carioca vive um bom momento e o Corinthians está em formação. Mesmo se o time paulista acertar a equipe, contratar um bom centroavante e resolver os seus problemas internos, será igual a outros candidatos ao título. É obvio que a dispensa do Fabio Costa não foi só por problemas técnicos.
É ainda muito cedo para se avaliar todos os times e os jovens treinadores, Paulo César e Gallo. Após a próxima rodada, algumas verdades já poderão estar velhas. Se o Flamengo vencer e o Botafogo perder, o Mengo, considerado um dos candidatos ao rebaixamento, passará o Botafogo e o time e o técnico Celso Roth serão exaltados. Pelo menos por uma semana.
Nas últimas duas semanas, falou-se muito na perda de peso de alguns jogadores do Botafogo, especialmente do Almir. Por causa disso, o técnico Paulo César Gusmão e a sua equipe foram, merecidamente, elogiados. Já a comissão técnica anterior foi considerada relapsa. Bonamigo precisa explicar o fato.
Dúvidas e punições
Lugano pisou sem bola no Leandro, merecia ser expulso e suspenso por mais de três jogos. Porém, o árbitro viu o lance, conversou com o jogador e não fez nada. Não sei se a justiça esportiva deveria anular o julgamento do árbitro. Isso pode ser perigoso. O tribunal esportivo não pode ter tanto poder. Estou na dúvida.
Há outro caso duvidoso. É necessária alguma punição aos times pela violência nos seus estádios, mas jogar sem torcida é punir o torcedor e o futebol. Em vez disso, poderiam doar a renda do jogo para trabalhos sociais ligados ao esporte. Não se pode é transferir o mando de campo e ou os pontos para o adversário, pois isso prejudica o interesse e os direitos de outras equipes.
Deve haver outra solução maiscriativa. Não sei qual é a melhor nem a mais justa.
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