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Atualizado em 01|05|2005 
Domingo | O lar da nova aristocracia
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Domingo
O lar da nova aristocracia
Violência urbana, especulação imobiliária e redução no número dos criados que mantinham a casa em ordem obrigou que famílias tradicionais, acostumadas aos espaços exagerados, passassem a morar em proporção reduzida: apartamentos de quatro, cinco quartos. Para a maioria da população do Recife, esses imóveis continuam parecendo gigantescos e ainda trazem resquícios da antiga aristocracia local. Para recebê-los, no entanto, foram necessárias algumas adaptações. "Um piano teve que sair de cena. Não caberia na sala do apartamento que projetei na avenida Boa Viagem", comenta o arquiteto Carlos Augusto Lira. Dele, sobrou apenas o banco usado para tocar o instrumento.

  Outro símbolo de prestígio, o lustre de cristal Baccarat, foi deixado de lado. O pé direito reduzido não comportaria tanto luxo. Da suntuosa construção no bairro de Casa Forte, os donos fizeram questão de levar telas figurativas que resgatam seus detalhes arquitetônicos e quadros clássicos de Telles Júnior. "A organização desses quadros, muito simétrica, revela que o padrão estético dessas pessoas ainda é bem tradicional", completa Carlos Augusto. Na mudança de endereço, a idéia era aliar tradição e modernidade, juntando itens de design contemporâneo ao mobiliário de tom escuro, visto no par de credencia, no dumquerque e na cristaleira com a coleção de taças em cristal.

Guloseimas - Outro costume da época das sinhás trazido aos dias atuais é a mesa com doces e bolos nativos permanentemente posta, esperando as visitas, ao lado da copa. A estrutura da edificação também se assemelha àquela do século XVI, com a portaria servindo de fortaleza, guardada por seguranças, porteiros e circuito interno de TV. Invasores, por aqui, têm que enfrentar o severo esquema de vigilância tão ou mais eficiente que o montado contra holandeses e franceses em busca de açúcar ou pau-brasil.
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