FORTALEZA - Sob a alegação de que está com depressão, o juiz Pedro Percy Barbosa Araújo, 57 anos, conseguiu adiar ontem seu primeiro depoimento desde que passou a ser considerado réu em um processo criminal, pelo Tribunal de Justiça do Ceará. Araújo é acusado de matar o vigia de um supermercado em Sobral (a 233 km de Fortaleza), no dia 27 de fevereiro. O crime foi flagrado pelo circuito interno de TV.
O depoimento, marcado para a manhã de ontem, seria ouvido no próprio tribunal, pelo relator do processo, desembargador Ernani Barreira, pelos advogados da família da vítima e da defesa e pelo Ministério Público. Um forte esquema de segurança havia sido montado para receber o juiz, interditando todo o primeiro andar do prédio para impedir o acesso da imprensa e de outras pessoas. O processo corre sob sigilo.
Barreira, porém, aceitou o pedido dos advogados de defesa para adiar por uma semana o interrogatório, que foi remarcado para a terça-feira da semana que vem. Na primeira etapa do processo, antes de sertido como réu, Araújo alegou, em depoimento, que o disparo contra o vigia José Renato Coelho Rodrigues foi acidental. O juiz está preso no Batalhão do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza, em uma cela especial. O Tribunal de Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra o juiz no último dia 19 de abril e planeja levá-lo a julgamento ainda neste ano.
Espírito Santo - A advogada Maria Aparecida Denadai, irmã do advogado Marcelo Denadai, que foi assassinado supostamente pelo crime organizado do Espírito Santo em 2002, disse ontem que a morte de seu irmão tem estreitas ligações com a do juiz Alexandre Martins, ocorrida dois anos depois. Ela contou que dois dias antes de morrer Martins teria dito a ela que havia recebido fitas com conversas gravadas que incriminariam integrantes do poder público em esquema de licitações fraudulentas.
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