Não é preciso muito esforço para deparar com o tema da reforma agrária, seja nos noticiários da TV, nas páginas de jornal ou nos projetos acadêmicos. Nem sempre foi assim. Discussões às vezes insossas acabam por esconder a amplitude de um mecanismo de inclusão socioeconômica poderoso e que tem em Pernambuco um berço histórico de lutas literalmente chamuscadas de sangue. A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) promove ao longo desta semana uma ampla discussão sobre a relação de amor e ódio entre as questões agrárias e a Mídia. O evento, integrado à programação da III Semana de Jornalismo da instituição, agrega até a próxima sexta-feira diversos formatos e especialistas, entre jornalistas, professores e autoridades do setor fundiário.
O primeiro módulo do projeto iniciou-se ontem com a abertura da exposição fotográfica MST - Resistência à Beira da Estrada, da ex-aluna e fotógrafa Juliana Leitão. As fotos estão expostas ao público no hall do bloco A e retratam o cotidiano escondido debaixo das lonaspretas dos acampamentos sem-terra do Estado. Hoje e amanhã, às 19h, na sala 511 do bloco A, a produção audiovisual abre caminho para a projeção dos vídeos Lona Preta e Gregório Bezerra, além do célebre documentário Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho. Este último considerado por especialistas como o melhor trabalho sobre a problemática agrária já realizado em película As sessões são restritas aos estudantes da Unicap.
Livro - Na quinta-feira, às 19h, no auditório GII, o jornalista Klester Cavalcanti, pernambucano radicado em São Paulo, participa de uma palestra aberta ao público sobre a cobertura jornalística e a luta pela terra no Brasil. Na ocasião, ele lançará no Recife o livro Viúvas da Terra (Ed. Planeta, 183 pg, R$ 32,90), um apanhado investigativo sobre os assassinatos encomendados de trabalhadores rurais sob a ótica daquelas que mais sofrem a impunidade: as viúvas.
A publicação é fruto de um trabalho de cinco anos esmiuçando mais de três mil páginas de inquéritos policiais e entrevistando dezenas de especialistas. O início da apuração das denúncias publicadas no livro data de 1998, quando Klester interessou-se pelo tema ao trabalhar como correspondente da revista Veja na Amazônia.
A semana de discussões sobre a reforma agrária acaba na sexta-feira, com a missão de reverberar em dois debates que tratam de questões fundamentais sobre o fenômeno das ocupações de terra e suas implicações na Mídia. No primeiro deles, marcado para 17h, no auditório GII, o repórter especial do DIARIO Vandeck Santiago, autor do livro Francisco Julião, As Ligas e o Golpe de 64, e o representante do MST Alexandre Conceição irão expor sobre a relação entre a comunicação e os movimentos rurais.
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