O álcool-combustível, ao que tudo indica, está de volta. Expande-se, toma novo ritmo e qualidade a produção do álcool nas modalidades do anidro e do hidratado. O Brasil pioneiro no aproveitamento do álcool com o sucedâneo da gasolina naquilo que diz respeito à propulsão motora acha-se novamente animado ante a possibilidade de resurgimento de uma riqueza, que hibernava há cerca de duas décadas.
Alguns fatores parecem responder pelo novo surto econômico por que passa o álcool. Um deles, certamente, é a proporção que tomou em várias partes do Mundo a preocupação ambientalista. Sabe-se que o álcool-motor polui menos que a gasolina. Passa-se pois a adicionar determinado percentual de álcool à gasolina - caso do Japão que está acabando de legislar sobre o assunto, ou então a simplesmente optar pelo álcool-combustível, por ser não apenas menos poluente, mas, também, por ser mais barato que o combustível tradicional.
Além da contribuição dada pelas preocupações de caráter ecológico, ocorre a ajuda das tecnologias, que se desdobram em oferecer novos campos de aplicação para o álcool-combustível.
Estão saindo das fábricas automóveis capazes de queimar tanto a gasolina quanto o álcool. Esta é uma novidade alvissareira, auspiciosa. No Brasil, já se testam aviões de pequeno porte servidos de motores que consomem álcool em lugar da gasolina de aviação. Ao que tudo indica, ultrapassamos a fase das simples experiências com tais motores, passando-se agora ao regime de produção deles. Logo e logo - é a tendência - outros países voltarão a copiar o modelo brasileiro, instalando em aviões, sobretudo aviões fungicidas, a máquina mais econômica e tão segura quanto a outra que é o motor a álcool.
Ao que tudo parece indica, é nova oportunidade de ouro que se desenha no horizonte econômico do País, e particularmente na Região nordestina e Pernambuco, em termos de ocupação de novos espaços e da criação de mais emprego no campo. Usinas, cujas atividades se cerraram por inúmeros motivos, poderão estar doravante a cavaleiro de umaoportunidade efetiva para a retomada de suas operações agro-industriais.
Modernas técnicas de trato dos solos serão utilizadas para o aumento da produtividade da terra em áreas que não se podem mais estender. Quando o avanço da cultura da cana-de-acúcar é possível, já se observa o ingresso de Estados como Goiás, Mato Grosso, Maranhão e Minas no rol das províncias produtoras de açúcar e do álcool.
O Exterior também não está dormindo. Estados Unidos, a começar do Hawai, México e alguns países africanos começar a interessar-se pela cana-de-açúcar como produto de lucratividade assegurada. Nenhuma dessas áreas, entretanto, oferece as condições de solo e clima propícias do Nordeste e Sudeste brasileiros para a expansão da riqueza em apreço. Tudo indica que seremos os maiores produtores do álcool-combustível tirado da cana-de-açúcar. O álcool deu a volta por cima.
Enquanto tudo isso acontece no Brasil e no Exterior, a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) faz a parte que lhe compete, ou seja, promove estudos e experimentos de campo a fim de dar aos produtores variedades resistentes aos tropeços eventualmente causados pelos solos e pelo clima.
Pernambuco não tem que temer que amanhã venha a competir com as demais fontes produtivas. O Estado necessita apenas de que seus homens de negócios não percam o senso de oportunidade, melhor dizendo, a própria oportunidade que lhes está a trazer o ressurgimento do álcool-combustível.
O planeta água
Paulo Gadelha DESEMBARGADOR FEDERAL DO TRF DA 5ª REGIÃO
É inafastável determinismo histórico: a água será o petróleo do século XXI. Assim, pelo seu uso e aproveitamento, tudo pode acontecer, inclusive conflitos entre nações.
É que, para a ONU, por exemplo, "os problemas mais importantes do século XXI são a quantidade e a gestão da água".
Assim, dentro de tal paisagem, é caótica a situação mundial.
Começa, diz a Organização das Nações Unidas (ONU) pelo fato de que, em inúmeras regiões do planeta Terra, populações inteiras não dispõem, pelo menos, de cinqüenta litros diários, per capita, para o atendimento de suas necessidades mais urgentes, quando é sabido que, nos países mais desenvolvidos da União Européia, o consumo médio oscila entre 300 a 400 litros, ao dia, e nos Estados Unidos a média, por habitante, gira em derredor dos 600 litros.
No seu diagnóstico, a ONU lembra que, no Mundo, atualmente, um bilhão e cem milhões de pessoas não têm acesso à água potável.
Depois, para o Grande Fórum Internacional, em relatório recentemente divulgado, dois bilhões e quatrocentos milhões de seres humanos, em todos os quadrantes da terra, não possuem saneamento básico, pela falta - é o óbvio - daquilo que, lugar-comum à parte, os cronistas do cotidiano, com muita propriedade, chamam de "o precioso líquido".
Realmente, precioso e indispensável.
Neste quadro desesperador, o Brasil é um oásis.
De fato, é o nosso país a maior reserva de água doce do planeta, representando cerca de 12% do potencial de todos os continentes.
Acontece que, boa e abundante, a nossa água é pessimamente distribuída.
Vejamos. A Amazônia, isto é, a chamada região norte, detém 88% de todo volume de água do Brasil, para um contingente que representa apenas 5% do total da população brasileira.
No Nordeste, ressalte-se, vivem 35% dos brasileiros, mas a nossa região tem somente 4% da água do País.
Democratizar a sua distribuição e utilização é imperativo de paz social e desenvolvimento harmônico.
Neste campo, inevitavelmente, entra aTransposição do Rio São Francisco como a grande alternativa para o refazer da área nordestina.
É, sem dúvida, uma espécie de "Abre-te, Sésamo", para a realização de um sonho sonhado desde o Império.
No Brasil, com já foi feito no Egito, na China, na Espanha, na África do Sul, nos Estados Unidos, no Equador, 70% das águas transpostas serão direcionadas para a agricultura irrigada, enquanto os 30% restantes terão usos diferentes, urbanos e industriais.
Agora, com certeza, transposto o Rio da Unidade Nacional, 12 milhões de excluídos sociais irão construir a sua história.
Quem viver, verá.
A Câmara de Comércio Brasil/Portugal
Marco-Aurélio de Alcântara JORNALISTA
A instalação solene da Câmara do Comércio Brasil-Portugal no prédio do antigo Clube de Regatas Barrozo - na pernambucanissima rua da Aurora foi outra excelente idéia desse português do Norte l00% aculturado e abrasileirado, que é Arménio Ferreira Diogo ou Arménio Dias, como se convencionou chamá-lo pela adoção do sobrenome do parente que o mandou buscar, ainda adolescente, para o Recife, ele que, na altura, trabalhava no comércio de Lisboa.
A "Baixa" lisboeta, por sinal, não tem segredos para o Arménio, que, a pé, logo cedo, faz todos os dias, quando lá está, o percurso Hotel Tivolí - Rua Augusta.
Em 10 minutos, ao lado do governador Jarbas Vasconcelos, fez um discurso-síntese ao inaugurar a Câmara: vamos realizar negócios que extrapolem o comércio tradicional de fim-de-ano: azeite, bacalhau, nozes, castanhas - e também o turismo "charter". Não é preciso falar muito nessas ocasiões para quem sabe o que quer e como se faz. A Câmara de Comércio Brasil-Portugal terá 3 ou 5 operadores-executivos para prospectar oportunidades de negócios; e promovê-las no espaço europeu.
A presença portuguesa já está aqui: gastronomia/hotelaria, bancos, construção civil, plásticos. Mas é preciso que se amplie o portfólio de negócios em articulação com a Associação Industrial e Comercial portuguesa, em Lisboa, o Instituto Português de Investimentos, as entidades do Porto, Braga Guimarães, Viseu e Aveiro e também de Faro e Portimão - estas, no sul de Portugal.
A Banca Portuguesa de há muito está instalada no Brasil. A Travelex já chegou, de Londres. O mais recente é o Banif - Banco Internacional do Funchal, que amplia os negócios e continua no Sul do país. É provável que venham para aqui, também, outros grupos promotores de fusões e junções empresariais, que estão sondando o mercado um deles, o BFI, com sede em Cabo Verde.
Tudo está inserido na globalização financeira, cujo símbolo, nas ruas, é a Western Union, para intermediar remessas de recebimentos de dinheiro de todo o mundo. A mercadoria geld - dinheiro - deixou aquele recato e pudor do século XIX, quando as transferências se faziam entre as pessoas por agentes mais ou menos secretos e discretos, para transforma-se em produto corrente.
Diz-se que Natal e Fortaleza disputam, hoje, o Recife como pólos de atração de turistas portugueses. As duas cidades oferecem "mais segurança" aos visitantes. Todas três têm problemas, mas não ao ponto de desestimular correntes de negócios. A Câmara do Comércio Brasil-Portugal vai ter de reverter essa imagem e transmitir a verdade dos fatos. Afinal, estamos livres de tsunami e de outras catástrofes maiores, neste canto do Mundo.
Câncer renal
Tibério Moreno de Siqueira Jr. MÉDICO
A Sociedade Americana contra o Câncer estima a ocorrência de 36.160 novos casos de câncer renal nos EUA em 2005 e cerca de 12.660 pessoas irão morrer desta doença. Não há dados estatísticos no Brasil sobre CA renal, mas admite-se a mesma proporção. Nos adultos, o tipo mais comum, é o adenocarcinoma renal.
No ato do diagnóstico inicial, cerca de 50% dos casos estão confinados no interior do rim. Em 25% dos casos, o tumor já saiu do rim e finalmente, 25% já apresenta doença metastática, principalmente para pulmões e ossos. Em geral, a sobrevida em cinco anos é de 60% para todos os casos diagnosticados, subdivididos da seguinte forma: 90% para os tumores localizados, 60% para os tumores já fora do rim e, 9% para os tumores metastáticos.
O tratamento para esta doença mudou muito nas últimas décadas, devido ao desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas. Antigamente, a cirurgia realizada de rotina para a retirada do rim (nefroctomia) era feita através de um a grande incisão lombar ou no abdome anterior, a qual apresentava uma alta morbidade, com intensa dor pós-operatória, flacidez permanente da parede abdominal, longo tempo de recuperação e estética ruim.
Em 1991, dr. Ralph Clayman realizou a primeira nefrectomia laparoscópica nos Estados Unidos, e, desde então, a cirurgia laparoscópica tomou um grande impulso no cenário urológico mundial. Hoje é possível realizar virtualmente qualquer procedimento cirúrgico urológico pela técnica laparoscópica, principalmente nefrectomia (doença benigna, maligna e nefrectomia do doador-vivo para transplante), adrenalectomias, pieloplastias (tratamento da estenose de JUP) linfadenectomias e prostatectomia radical (tratamento do câncer de próstata).
A grande vantagem desta técnica é apresentar uma taxa de morbidade muito inferior quando comparada com a técnica aberta convencional. O pós-operatório é muito menos doloroso, o tempo de internação (cerca de 2-3 dias) e de convalescença (cerca de 2 semanas) são muito menores, e, o resultado estético é muito superior (apenas 3-5 incisões com cerca de 1 cm cada, associado com uma incisão de cerca de 7 cm nos casos de procedimentos extirpativos).
A nefrectomia radical laparoscópica para o tratamento dos cânceres renais é um procedimento altamente seguro, eficaz e que apresenta uma taxa de cura igual à taxa obtida com a cirurgia aberta. Hoje, o grupo do Hospital Memorial São José e do Hospital Getúlio Vargas, detém o maior número de casos operados no Nordeste, todos estes apresentando uma excelente evolução e taxas de cura semelhantes aos dos melhores centros mundiais.
Qualidade do ensino universitário
Palhares Moreira Reis ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO SALESIANO
Uma das coisas que vem funcionando adequadamente no sistema nacional de ensino é a pós-graduação. Todavia, depois de registrar que muitas das críticas feitas às universidades federais são procedentes, e na sua maior parte as deficiências são devidas a políticas do MEC, devem ser anotadas as exceções que existem.
Para Cláudio Moura Castro, ao lado do elenco de ineficiência, desmazelo e improdutividade, que afetam, sobretudo, a graduação, existem três setores do sistema que se destacam pelo desempenho: a pós-graduação, as fundações de apoio e o setor informal.
A primeira ressalta pela produção, pela pesquisa e pela quantidade e qualidade das publicações de seus docentes e, agrega o escriba, também dos seus egressos, uma vez que as editoras nacionais têm se mostrado grandemente receptivas aos textos de dissertações de mestrado e de teses de doutorado. Especialmente nas áreas das Ciências Humanas e do Direito. Sabe-se que a aprovação de umtexto dessa ordem na comunidade acadêmica tem um sentido, e no âmbito das editoras, um outro, mais pragmático, pois a estas interessa a possibilidade que o trabalho representa em termos de mercado. Se ele não é adequado em termos de mercado, seguramente as editoras comerciais não o publicaria, ficando a sua edição a cargo das editoras universitárias ou do próprio autor.
Também as fundações de apoio, que viabilizam a venda de serviços, pesquisas, cursos, desenvolvimento tecnológico. Sem estas, os cursos extraordinários, sobretudo os da pós-graduação lato sensu se tornariam inviáveis nas instituições públicas, que devem os oferecer gratuitamente. As taxas cobradas, se existentes, seriam irrisórias e não remunerariam os que neles trabalham. Aí haverá o choque entre a norma constitucional do ensino público e a intenção de remunerar melhor os que ministram tais cursos, chegando ao Judiciário a discussão sobre o assunto.
Finalmente, a existência de um setor informal ao lado das atividades formais das universidades, no qual os professores se oferecem para dar consultoria, ou assessoramento em outras instituições.
Ao lado das universidades públicas, federais ou estaduais, ou ainda municipais, que as há, existem as instituições privadas, as faculdades particulares, que hoje se multiplicam, e que sofrerão, em breve, o crivo da sociedade, pela qualidade de seus egressos, com ou sem "provão", com o nome que tenha. A sociedade irá procurar as escolas pagas, quando tiverem certeza de que o resultado do trabalho destas se mostrar efetivamente bom, e não apenas considerando os aspectos imediatos do pagamento das taxas e de outras facilidades.
Um corpo docente adequado, com titulação e experiência, é o primeiro ponto a considerar, ao lado das instalações e, sobretudo, da biblioteca que, efetivamente, esteja presente na instituição. Os estudantes, sobretudo, e suas famílias, procurarão saber quais as entidades que tenham um corpo docente com sólida experiência ao lado de titulação acadêmica, obtida em instituições de destaque.
Por isso, deve ser considerado este elenco de requisitos quando do ingresso num dos cursos de entidades privadas, para onde estão indo os professores com melhor titulação, uma vez que os Governos estão, perversamente, dificultando a manutenção e impedindo o crescimento das escolas superiores públicas, não autorizando os concursos e somente admitindo professores substitutos, com titulação menor, e por período curto. Forma, com isso, um "baixo clero" acadêmico quando, se assim bem entendesse, poderia admitir, formalmente, professores de alto nível, para integrar o corpo docente de modo permanente.
E permitir que haja recursos para pesquisas e para a publicação dos trabalhos produzidos nas instituições, pois, como disse Ortega y Gasset, a tríplice missão das universidades é a da conservação, elaboração e transmissão do conhecimento científico, do saber, enfim.
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