As empresas, seja qual for o setor, têm suas técnicas para ter sucesso nas vendas. O mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife (RMR) não é uma exceção à regra. Além de flexibilizar o prazo de pagamento em até 120 meses para imóveis na planta e fazer o papel de banco, os empresários encontraram outra alternativa: estão vendendo imóveis prontos em até 90 meses. Modelo que, ancorado na queda de renda da população, está tendo sucesso pois nem todos dispõem de recursos para bancar a prestação do imóvel em construção e o aluguel. Portanto, mesmo tendo que desembolsar, em média, 30% do valor do imóvel de entrada, comprar a casa e poder se mudar logo em seguida se torna uma saída atraente.
Atenta a esse diferencial, a Construtora Aveloz lançou mão do atrativo para conseguir comercializar as unidades disponíveis nos empreendimentos já prontos para morar. "O poder aquisitivo da população caiu muito. As pessoas reclamam que não têm condições de pagar a prestação do apartamento e o aluguel. Como temos interesse em vender nossos imóveis, temos que buscar alternativas", diz o diretor comercial da Aveloz, Paulo Angelo Seixas.
No edifício Morada das Palmeiras, por exemplo, um prédio com 68 apartamentos com área de 96 metros quadrados (cada) e localizado em Boa Viagem, há 20 unidades disponíveis. Os apartamentos custam, em média, R$ 170 mil. No plano de comercialização montado pela Aveloz para os apartamentos à venda a entrada é facilitada em até quatro vezes.
Para os que custam R$ 170 mil, ficam quatro parcelas de R$ 4.250,00 na entrada, mais R$ 17 mil das chaves e 80 mensais de R$ 950,00, corrigidas mensalmente pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), mais juros de 1% ao mês.
A Imobiliária Recife está estendendo o prazo na comercialização dos imóveis prontos para morar. "O ideal seria que não houvesse imóveis estocados. Mas, como as vendas não estão no ritmo esperado temos que encontrar alternativas", observa a gerente de contrato da Imobiliária Recife, Ana Lúcia Freire de Lima. Ela lembra que os apartamentos prontos que não são vendidos têm um custo fixo para a construtora.
Para facilitar as vendas, a empresa oferece prazo em até 90 meses, com as parcelas corrigidas mensalmente pelo INCC mais 1% de juros/mês. Na assinatura do contrato, o cliente terá que desembolsar entre 25% e 30% do valor do imóvel, dependendo do preço do apartamento escolhido. "Temos unidades disponíveis na Madalena, Arruda, Rosarinho, Espinheiro, Iputinga, Janga e Candeias", enumera a gerente.
A economista Mônica Mercês, coordenadora da pesquisa Índice de Velocidade de Vendas do mercado imobiliário da RMR, confirma que o financiamento de imóveis prontos é uma forma encontrada para driblar à queda nas vendas. O volume de imóveis prontos a espera de comprador dimensiona a dificuldade. O IVV de fevereiro passado, último mês divulgado, revelou estoque de 4.554 unidades na RMR.
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