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Geração
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Certinhos sim, algum problema? |
Mariana Fontes ESPECIAL PARA O DIARIO |
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Responsabilidade é a palavra de ordem dos adolescentes que preferem ser chamados de caretas a transgredir valores
Metódicos, perfeccionistas e extremamente disciplinados. Eles são os filhos que todos os pais pediram a Deus. Não fumam, bebem com responsabilidade e são superestudiosos. Tathiany, Marconi e Lorena são assim, quase perfeitos. É bem verdade que cada um deles tem os seus pequenos defeitos, mas, em comum, os três jovens têm o fato de estarem sempre dispostos a darem o melhor de si - seja nos estudos, nos relacionamentos amorosos ou na convivência familiar - e não estão nem aí para a possibilidade de serem taxados de "caretas". A tendência é ser "certinho".
 "Perfeitinha" típica, Lorena, 18, diz que se valoriza e procura fazer o que sabe que é melhor para ela. Foto: Fotos: Ricardo Fernandes. | "Eu me valorizo e tento sempre fazer o que sei que é melhor para mim. E é isso que importa", dispara a estudante Lorena Matos, 18 anos. Ela, que poderia ser definida como a típica garota "perfeitinha", conta que faz tudo o que quer, mas sempre com muita responsabilidade. Toda a independência que Lorena conseguiu conquistar foi graças à confiança que ela procura transmitir aos pais. "Minha mãe me deixa sair a qualquer hora. Eu gosto de beber vinho, mas não exagero, inclusive quem me ensinou a beber foi o meu pai", conta.
 Metódica ao extremo, Tathiany, 19, confessa que gostaria que uma vez na vida as coisas fugissem de seu controle, mas não consegue. | "Já provei de tudo, e não gostei. Tenho medo de causar constrangimentos", explica o "certinho" Marconi Medeiros, 18 anos, referindo-se ao consumo de bebida alcoólica. O estudante de Ciências da Computação não tem vergonha de assumir que procura, sim, sempre fazer a coisa certa, mas conta que não abre mão de sua diversão em função das responsabilidades. "Não deixo de sair e fazer as coisas que eu quero. Meus pais me dão tanta liberdade que eu acho que acabo aproveitando pouco", conta. Apesar de confessar que, de vez em quando, surge aquela vontade de "surtar", Marconi diz que não gostaria de ser diferente do que é.
Tímido em alguns momentos, como o próprio estudante se define, ele é um tanto conservador para os padrões da juventude atual, no que diz respeito aos relacionamentos com o sexo oposto. "Eu não fico por ficar, porque não vejo a pessoa por fora, dou valor ao interior. Por isso que em balada de boate eu curto mais ficar com a galera,já nos barzinhos, onde dá para conversar com as pessoas, é mais fácil rolar uma ficada", explica Marconi. Opinião compartilhada pela estudante de Direito, Tathiany Queiroz, 19 anos. "Todo mundo tem a sua fase de ficar, mas prefiro relacionamentos sérios", diz.
 Marconi, 18, comenta que tem medo de "causar constrangimentos", por isso prefere fazer a coisa certa. | Metódica ao extremo, Tathiany conta que gostaria que uma vez na vida as coisas fugissem de seu controle. "Me considero responsável, procuro cumprir tudo que planejo. Não consigo fugir disso, por mais que eu tente eu sempre sou a certinha", diverte-se Tathiany, que acredita que esse excesso de responsabilidade é fruto de um amadurecimento precoce, causado pelo fato de ter saído de casa aos 14 anos para morar sozinha no Recife. "Meus pais são do Interior. Nossa relação é maravilhosa, antes de serem pais, eles são amigos. Saio sempre com eles", conta Tathiany. Apesar de se assumir como "certinha", a estudante despreza o rótulo de "garota-Sandy". "Não sou metida, nem tento me fazer de santa. Só sou metódica e amadureci cedo", diz.
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