A Ranulpho Galeria de Arte, a cada nova exposição, confirma que é a mais tradicional do Recife, sempre reforçando em seu acervo um valor mais histórico e comercial do que experimental ou estético. A coletiva Recife 468 Anos, que começa amanhã às 21h homenageando o aniversário da Cidade, demonstra uma intenção em valorizar algo de novo em relação ao que vem sendo mostrado no espaço expositivo do casarão 125 da Rua do Bom Jesus. Apesar de apresentar apenas artistas com mais de cinqüenta anos de idade (o comercialmente consagrado Romero Britto, de 42, é a exceção), desta vez a galeria coloca de lado as antigüidades e pinturas mais conservadoras e investe numa produção, totalmente pernambucana, um pouco mais concentrada num passado recente, abrindo mais espaço para artistas experientes que se consolidaram nas últimas três décadas.
Nesta nova exposição, percebe-se ainda uma preocupação em exibir a nova produção de artistas consagrados, que mesmo assim nunca abandonam seu estilo cultivado por décadas. Há, por exemplo, duas esculturas inéditas de Abelardo da Hora produzidas pelo artista em 2004, que representam variações de suas mulheres voluptuosas, retratadas agora apenas em novas posições. José Cláudio participa com duas pinturas, uma da década de 1980 e outra concluída em 2005, que retrata passarinhos na pincelada inconfundível do pintor, cujas possibilidades há mais de uma década vêm se concentrando em nuances dentro desse mesmo tema.
Por outro lado, a Ranulpho abre também para as novas experimentações de José Barbosa, que mostra suas novas Naturezas Vivas e seus totens de madeira, e Tereza Costa Rego, com uma mulher pintada em 2004. Guita Charifker e José de Moura complementam esse núcleo olindense. Pragana, pintor que ainda está consolidando sua carreira se comparado aos demais, também participa com seus homens difusos. Até o subversivo e sempre experimental Paulo Bruscky aparece com uma pintura abstrata feita sobre tela e espelho, datada de 1984.
Mas há também a presença de obras antigas de nomes eternizados, como Cícero Dias (1908-2003), Wellington Virgolino (1929-1988), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), Lula Cardoso Ayres (1910-1987), Francisco Brennand e João Câmara, da arte naÚf de Alcides Santos e de paisagens tradicionalistas de Mário Nunes e dos irmãos Fédora e Joaquim do Rego Monteiro. (J.C.)
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