BRASÍLIA - Ao ser ovacionado ontem por empresários e sindicalistas como algoz da medida provisória 232, que aumentava impostos para prestadores de serviço e corrigia a tabela do Imposto de Renda, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), aproveitou os holofotes para rebater as "críticas sórdidas" que, segundo ele, vem recebendo nas últimas semanas. "Queremos que vocês nos ajudem, porque tenho levado cacete", disse a empresários e representantes da Força Sindical reunidos em evento na Câmara dos Deputados contra a MP, que ontem foi derrotada devido a um recuo do Governo.
Antecipando que novos ataques virão, ele mostrou postura desafiadora. "Todas as críticas que quiserem fazer, façam, que Severino agüenta", afirmou.
A principal delas é relacionada às acusações de nepotismo: Severino emprega seis parentes na Casa. Não é o único: pelo menos outros 96 deputados tiveram seus cônjuges empregados pela Câmara nos últimos anos.
O presidente da Câmara também aumentou a verba de gabinete dos parlamentares (usada para pagamento de salário de assessores), após ver fracassada sua proposta de elevar os salários dos deputados. Ele procurou transformar as críticas a que vem sendo submetido em um ataque aos parlamentares de forma geral. Para isso, usou novamente a rejeição da MP. "É preciso compreensão. Foram os deputados, muitas vezes criticados, que levantaram a voz [contra a MP]", declarou.
Também pediu ajuda às cerca de 200 pessoas presentes no ato. "Não aceitem que se critiquem os deputados, que não têm nada a oferecer além de trabalho. São críticas sórdidas. Eles [a imprensa] deturpam." Os empresários, entre eles o presidente da Confederação das Associações Comerciais, Guilherme Afif Domingos, aplaudiram.
"Pelos meus erros eu respondo. Só não posso responder pelo exagero que colocam nas minhas costas, com notícias e dados mentirosos que acabam por atingir a própria instituição. A Câmara não merece isso", acrescentou. Na reunião, Severino acenou com uma bandeira branca com os líderes, que têm reclamadodo fato de ele não os ouvir ao fazer a pauta. "Longe desta presidência a intenção de dirigir os trabalhos da Câmara sem a participação importantíssima dos senhores líderes".
Mas ele reafirmou que, apesar da promessa de escutar mais os líderes, a prerrogativa de fazer a pauta e escolher relatores para matérias continua sendo sua. "Com esses critérios, não estou reduzindo em nada os métodos até aqui adotados por diversos presidentes que me antecederam." Severino estuda fazer amanhã um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão para rebater as críticas.
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