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Edição de Quarta-Feira, 30 de Março de 2005 
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Opinião
Opinião
Acordo desfeito

O Governo da União anunciou não ter necessidade, no momento, de renovar o acordo de US$ 40 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Faz cerca de sete anos o País mantinha as estreitas relações configuradas no acordo em apreço, durante cuja vigência vieram a ser observadas regras assaz rigorosas de supervisão e acompanhamento.

  Quando da assinatura do acordo em referência, havia eclodido a crise financeira dos principais países asiáticos e a crise da Rússia. O mercado financeiro internacional era de uma instabilidade a toda prova, as situações cambiavam num abrir e fechar de olhos, os países emergentes foram sobretudo atacados pela alta especulação internacional, restando debilitados, cada vez mais anêmicos e condignos de alguma forma de ajuda externa. A saída precipitada de dólares e outras moedas de valor, no caso brasileiro, deixou-nos expostos à possibilidade falimentar.

  O acordo iria ajudar - como ajudou de fato - a proteger as já magras reservas cambiais, afugentando até certo modo a especulação externa que então se fazia mais voraz à medida em que a crise se desenrolava. A essa proteção logo o mercado batizou de "blindagem", o País ficaria protegido por uma carapaça feita do único aço respeitado pela afoita e assanhada finança especulativa.

  É certo que as normas do Fundo Monetário Internacional (FMI) aplicadas ao país tomador de empréstimos geram no início desconfortos consideráveis. A disciplina fiscal se torna mais rígida, a obrigação de economizar para fazer face ao enorme serviço da dívida existente chega ao limite das forças sociais, a paralisação de certas atividades e a diminuição do ritmo de outras fez aumentar o incômodo desemprego. Chega-se a um ponto em que a impressão geral coincide com a história conhecida em que o remédio, antes de curar o enfermo, terá o efeito contrário, o efeito de matá-lo.

  Países acostumados a trabalhar pela forma espartana, a exemplo do Japão e Alemanha, não sentiriam tanto o peso dos encargos desse tipo de acordo com a citada instituição internacional, porém, as economias que guardam determinado histórico de indisciplina econômico-financeira, a exemplo da maioria dos países emergentes, incluso nesse rol o Brasil, sentem na carne dores por assim dizer insuportáveis, as dores da disciplina de quartel em matéria de finança pública e defesa do valor da moeda.

  O Brasil viveu, recentemente, ambas as realidades, a de indisciplina, que nos fez conviver a duras penas com a inflação reiterada por décadas de duração, e a ingestão do remédio amargo.

  Não foi mero acaso haver-se curado, quase, das feridas da inflação e da incontinência de gastos. O País cumpriu tão à risca - com Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República - a receita do Fundo Monetário Internacional e tão a contento se saiu da prova que não precisou sacar o dinheiro barato posto à disposição e até fez o dever de casa com mais esmero e capricho que coletou reservas próprias, no período, da ordem de US$ 40 bilhões. Para que se tenha idéia, o Brasil fez diminuir no montante de US$ 19 bilhões a dívida pública, isto para falar apenas do ano passado.

  A credibilidade cresceu a tal ponto que a crônica internacional não teve outro jeito que aplaudir a decisão de não mais renovar com o Fundo Monetário Internacional o acordo em vigência até hoje. Temos crédito para caminhar com as próprias pernas.


Das torres de São José à torre Eiffel

Jório Cruz
ARQUITETO E URBANISTA

A cidade se envolve com nova polêmica, agora sobre as torres no bairro de São José, projetadas no terreno da antiga Mesbla Náutica. Vozes se opõem a um projeto de singular arquitetura, em vez de agradecerem pelo talento dos arquitetos da terra, que as conceberam para o Recife.

  As opiniões livres são sempre bem-vindas numa sociedade democrática, quando elas transmitem posições que somam aos esforços de promoção e desenvolvimento. Precisamos dessas vozes, assim, ecoando tão enfáticas, nos momentos mais nobres do pensar a cidade, para enriquecerem diretrizes, estabelecerem normas e incutirem germes de prosperidade à paisagem urbana. A querela ora lançada, se parece com a da passarela do Paço Alfândega, no bairro do Recife, por exibir bases provincianas de intolerância e de supremo achismo, e por se conflitar com as normas vigentes e a opinião de renomados especialistas. Exalta um conservadorismo que parece lamentar que a cidade possa ter sua trajetória de crescimento, agregando culturas de suas épocas e consagrando identidades.

  A polêmica sinaliza um horizonte sombrio de restrições a um dos projetos mais esperados pela cidade: a operação urbana consorciada no setor do bairro de São José, entre a rua Imperial e o cais José Estelita. Área disponível, no centro, e paradoxalmente ociosa pela sua degradação. Essa operação urbana é a única forma de resgate para o bairro e para a sua centralidade, devido à presença de infra-estrutura e de um potencial incalculável para evitar a persistente fuga de funções do centro. Esta sim, é a paisagem do Recife que se perde, dolorosamente.

  É claro que estamos falando de uma área com história. Mas, lamentamos que a sociedade não tenha sido capaz de defender essa história, antes dela se tornar uma tão desagradável ruína social e urbana. O tão almejado Estatuto da Cidade concebe, para esses casos, na sua política urbana, o instrumento auspicioso das operações urbanas consorciadas, como um "conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público Municipal, com a participação dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo de alcançar transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e valorização ambiental".

  Não ouvimos ainda vozes tão ciosas da tradição cultural do Recife e de Olinda, se rebelarem com o permanente adiamento da utilização desse instrumento de política urbana, preferindo deixar que setores importantes como este, de São José, e como o de Santo Amaro, entre a rua da Aurora e as avenidas Cruz Cabugá e Norte, entregues ao descalabro urbano, que vai da deterioração das suas estruturas arquitetônicas, ao covil de criminalidade. Antevemos, com horror, vozes ainda inaudíveis, que soarão, mais tarde, peremptoriamente, contra as novas estruturas que poderão emergir do descalabro urbano, para marcar uma nova trajetória de crescimento do Recife.

  Não é justo acusar de insensíveis instituições inatacáveis e com uma bela história como o Iphan, sobretudo em Pernambuco, profissionais renomados da arquitetura pernambucana, empreendedores comprometidos com a trajetória da cidade e até a sociedade, que se deixou seduzir, sem preconceitos, pela oportunidade de morada sadia em São José, coroando uma luta antiga para estancar o esvaziamento do Centro.

  O Recife deve compreender que vozes precipitadas e intolerantes, via de regra são inconseqüentes como instrumento de persuasão de idéias. Imaginem se elas ecoassem em Paris, por exemplo: a humanidade estaria privada da pirâmide do Louvre; do Arco Quadrado de La Defense; da Biblioteca Nacional; e até, provavelmente, da própria torre Eiffel.


O doutor Leo

João Alfredo dos Anjos
MESTRE EM HISTÓRIA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

Há, e creio que sempre houve, dois modos de entender Pernambuco: um mais leve, musical, poético, plural; outro mais pesado, taciturno, acadêmico, singular.

  Pernambuco é a terra de Luiz Alves Pinto - autor de tantas peças sacras no Século XVIII - de Nelson Ferreira, de Capiba, de Ascenso Ferreira, de Carlos Pena Filho.

  Pernambuco é também a terra de Fernandes Gama, de Oliveira Lima, de Joaquim Nabuco, de Gilberto Freyre, de João Cabral de Mello Neto, de José Antônio Gonsalves de Mello, de Evaldo Cabral de Mello.

  É, e sempre será, esta terra dupla, em espaços e interpretações, em filosofia e compreensão, em desigualdades.

  De tempos em tempos aparecem, contudo, pernambucanos que unem suas faces dispersas, que traduzem sua linguagem em modo compreensível a todos os seus filhos. Foi assim com Mário Melo: que defendeu Vassourinhas, Pão Duro, Dona Santa, Dragões e Canindés; mas que também resgatou e assinalou a memória de nossa formação, que traduziu aos nossos filhos o seu significado, como na "preleção para escolares" sobre a 1ªBatalha dos Guararapes, editada em abril de 1948, que começa "Era Pernambuco, no século XVII, a mais próspera capitania brasileira" e em três páginas e meia resume o que foi a epopéia do Brasil holandês.

  Assim o é Leonardo Dantas Silva, o doutor Leo. Dedicado discípulo de dois mestres, das duas faces de Pernambuco: de José Antônio Gonsalves de Mello e de Capiba.

  Do lado taciturno aprendeu a paciência e o vagar das horas silenciosas em bibliotecas pernambucanas e portuguesas, as letras que formam a nossa identidade histórica; do lado alegre aprendeu o ritmo e o verso, os acordes que formam a nossa identidade musical.

  Em Antologia do Carnaval do Recife e em Carnaval do Recife juntou as duas faces pernambucanas que não se conhecem, que não se falam e que teimam em viverem vidas separadas. Em Paisagem Pernambucana, Pernambuco: imagens da Vida e da História, Pernambuco Preservado e Arruando pelo Recife, retomou a tradição de amor à cidade do Guia Histórico e Sentimental da Cidade do Recife.

Editor, escritor, musicólogo, bibliófilo (Mindlin que o diga!), advogado (dos poucos que se orgulham verdadeiramente da profissão), jornalista, fotógrafo (alguém já se lembrou de propor uma exposição de suas fotografias?): como todo Leonardo que se preza, um generalista curioso.

  O doutor Leo - como sempre o ouvi chamar, de noite, nas longas conversas telefônicas, o meu avô hoje morto, José Antônio Gonsalves de Mello - é um dos mais belos e ricos frutos do Recife. Homem simples, filho de pais simples e sem posses, fez-se por si só, pela sua tenacidade e pela astúcia que caracteriza o homem do Norte. Pela rara capacidade de escolher os seus mestres e usar a sua intuição. Pelo seu trabalho.

  Não há na história de Pernambuco mais importante e prolífico editor. Ele seria o nosso José Olympio, o nosso Knopf, o nosso Einaudi, houvessem sido eles também autores e estudiosos - e não o foram - como o é o nosso Leo.

Como todos os pernambucanos de identidade marcada, o doutor Leo é gosto para poucos, porque diz o que pensa e desagrada os grupos que teimam em se achar donos do conhecimento e da arte. Como todos esses pernambucanos raros, o nosso doutor Leo está e estará marcado pela incompreensão e ingratidão de nossa terra.

  Como o caranguejo da história - que ele nos conta sorrindo - que jamais sairá da banheira, porque os demais caranguejos não suportariam.


Metas de inflação travam crescimento

Abelardo Baltar
COORDENADOR DO FÓRUM PE SÉCULO XXI

A frase que originou o título desse artigo é de Jomu Sundarm, atual secretário auxiliar de Desenvolvimento Econômico da ONU. Portanto, não reflete a opinião de nenhum esquerdista radical ou algum Neokeynesiano exacerbado. Segundo Sundam, a decisão do governo brasileiro de perseguir metas de inflação muito baixas impõe barreiras ao desenvolvimento industrial do País. Neste ano de 2005, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou, inicialmente, uma meta de inflação de 4,5%, sendo obrigado a refazê-la para 5,1%, já que a primeira proposta era inexeqüível. A autoridade da ONU externou sua opinião, justamente, no dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar pela sétima vez consecutiva a taxa básica de juros (Selic). Taxa básica que passou de 16,00 % a.a., em setembro 2004 , para 19,25% a.a. em março de 2005, crescendo muito, desse modo, em pouco tempo. Avaliação semelhante a do dirigente da ONU foi feita, também, pelo diretor-adjunto do Departamento de Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Cambridge, Ha-Joon Chan. Segundo esse professor, os juros reais brasileiros, entre 13,0% e 13,5% a.a., dificultam o acesso das empresas a financiamentos para investimentos em produção. "Há uma tendência em se definir estabilidade por inflação baixa, mas essa obsessão é um problema porque, enquanto a margem de lucro do empresário brasileiro fica entre 7% e 8%, a taxa de juros real está entre 13,0% e 13,5%, significando que esses empresários não podem tomar dinheiro emprestado para ampliar seus negócios."

  Especialistas lembraram que a Coréia do Sul, e outros países que deram saltos desenvolvimentista pelo menos razoáveis, chegaram a ter inflação em torno dos 20% a.a. O fundamental é que haja controle das forças inerciais e ultimamente tal controle tem ficado assegurado aqui no Brasil. A questão central do combate a inflação hoje, no nosso País, é a existência de contradições na lógica interna da própria política macroeconômica que vem sendo aplicada, quando considerada no seu conjunto. A política cambial tem por suporte a flutuação dos mercados, o que pode ser considerado um posicionamento realista. Entretanto, existem contradições nítidas entre a política monetária restritiva utilizada, com base no aperto da liquidez (taxas de juros altas, aumento dos depósitos compulsórios etc) e uma política fiscal expansionistas devido ao crescimento do gasto público a partir,sobretudo, do ano passado (crescimento, praticamente, sem respostas quanto à melhoria dos serviços ofertados a população). Ora, essa contradição faz com que metas de inflação muito baixas só possam ser alcançadas com apertos monetários cada vez maiores, tendo o objetivo de conter uma demanda que tende a crescer devido, em grande parte, a esse descontrole dos gastos governamentais.

  A solução dada pelas autoridades econômicas para enfrentar tal problema tem sido o aumento dos juros, juros que, nos dias atuais, se constituem, praticamente, no único instrumento de política macroeconômica existente. Mas o "custo" dessa política de juros altos émuito grande, sobretudo porque a mesma, como disseram as autoridades internacionais já citadas, tolhem bastante as possibilidades de crescimento contínuo e persistente de setores vitais da economia do País. Além disso, tal política constitui-se num fator de aumento de concentração da renda, isso numa sociedade em que a renda sempre foi historicamente muito concentrada. Então precisa-se de maiores racionalizações dos gastos públicos e metas inflacionários menos ambiciosas para se poder sair dessa política perversa de juros altos, política que prejudica, ao mesmo tempo, o capital produtivo e o mundo do trabalho.


Freud: 150 anos

Humberto França
ESCRITOR

Em 2006 será celebrado o sesquicentenário do nascimento de Sigmund Freud. Judeu ateu. Estóico. O cientista, que defenestrou tantas das mais caras ilusões humanas, com suas teorias atiradas como petardos, na deusa Razão e na face obtusa das verdades triunfantes de certas religiões, compõe com Marx e Nietzsche a tríade dos Mestres da Suspeita. Ele não teve medo de lançar destemidamente o olhar para o arcabouço onde o lado obscuro do homem espreita-o sem o recurso da autopiedade.

  Embora as idéias de Freud tenham marcado a Ciência no século XX, seria necessário dizer, que vários pensadores, como Joel Dor e Foucault criticaram a teoria freudiana, a sua "a-cientificidade", o seu "elitismo", a duração do tratamento. Parece que, hoje, o homem não mais estaria disposto ao incômodo da análise e da auto-análise, preferindo, talvez, mergulhar de vez no mar da Química.

  Freud era um inovador. Abordou a questão da cultura e da repressão. Afirmava que a Ananké, necessidade, em grego, era a genitora da civilização, seguida de Eros e Tánatos, compondo o dilema humano: desejo-vida, morte. Ousadamente, ele colocou em descrédito a máxima que o Cristianismo reivindica: Ama o próximo como a ti mesmo, no que acrescentava: "Amar a todos é não amar muito a ninguém", conforme registra Peter Gay, talvez, o seu melhor biógrafo.

Prosseguindo com suas experiências, em 1899, Freud publicaria A Interpretação dos Sonhos, obra que não obteve êxito àquela época. No entanto, a sua persistência e ousadia haveriam de despertar o interesse da Medicina. Porém, não tardaram os ataques da comunidade médico-científica. Entretanto, em Berggasse, 19, o cientista cioso de sua autoconfiança e determinação, prosseguia os estudos. Ensinava, debatia e escrevia as obras seminais, que mudaram o eixo do Pensamento Ocidental, embora Freud não tolerasse nem os filósofos, nem a Filosofia.

  Com a propagação dos feitos freudianos, surgem os discípulos. O fascinante Carl Gustav Jung, o pensador de Zurich, o futuro delfim, com quem Freud conversou por oito horas seguidas, no primeiro encontro. O grupo era composto por Ferenczi, Stekel, Helene Deutscher, Rank, Adler, Melaine Klein e a encantadora Lou Andréas-Salomé, por quem, tempos antes, Nietzsche teria se apaixonado.

  Em 1908 Freud recebeu um convite para proferir conferências na Universidade Clark, nos Estados Unidos. As brilhantes conferências: Cinco Lições de Psicanálise foram o início do reconhecimento internacional, que daí em diante não cessaria.

  Porém, com a expansão da teoria freudiana, não tardaram os desentendimentos. A Psicanálise dividia. Jung se afastou, gerando rancor em Freud. O médico suíço desafiara o pai poderoso. Na sua Psicologia Analítica, divergia abertamente do mestre. Aproximava-se da não-razão. Estabeleceu o conceito do Inconsciente Coletivo. Horrorizou Freud com suas interpretações místicas. Nunca mais se entenderam.

  Anos depois, o espectro nazi-fascista. Os tempos de horror. A Áustria invadida, profanada. As horas terríveis, em Viena, à espera do retorno de Anna, discípula, filha amada,que a Gestapo levara para interrogatório. A princesa Marie Bonaparte, sobrinha-neta de Napoleão, amiga e discípula, acudiu o professor, conseguindo livrá-lo, e a familiares, da perseguição nazista, em 1938.

  Enfim, o exílio em Londres. O câncer se agrava. O mestre emudece, em face do mal que lhe corroia a boca. Mas, o velho médico produz, escreve. Pensa genialmente ainda. Em 1939, por sorte antes das chaminés de Auschwitz, Freud demonstra a sua não-surpreendente coragem diante da morte. Sem apelos, nem autopiedade, o estóico pede a seu médico, Schur, que cumpra o pacto. Anna, a filha dileta, concorda. No dia fatal, o Herr Professor dirige um último aceno ao amigo querido, Ernest Jones. Biógrafo, também. E caminha, sem cedência ao medo, e sem nenhuma palavra de despedida, para o Grande Nada. A overdose de morfina o libera das dores terminais. Conhece-te a ti mesmo.

e-mail:
umbertopimentel@bol.com.br

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