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Atualizado em 28|03|2005 
Interior | Caetés espera reconhecimento
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INTERIOR
Caetés espera reconhecimento
A cidade de Caetés, a 252 quilômetros do Recife, tornou-se nacionalmente conhecida como a terra natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que seguiu o exemplo de centenas de conterrâneos, fugindo da seca para tentar a vida nos grandes centros urbanos do País, especialmente no eixo Rio-São Paulo. No entanto, outra referência bem menos gloriosa vem marcando a região após o início da estiagem.

  Incluída na lista do Governo do Estado entre as 40 cidades pernambucanas castigadas pela estiagem, a cidade espera há mais de cinco meses pelo reconhecimento do Governo federal, que hoje é comandado pelo filho ilustre. Assim como em Capoeiras, o cenário atual continua tão (ou mais) desolador do que o panorama verificado no final do ano passado.

  O carro de boi continua sendo requisito obrigatório para os moradores da zona rural, mas não como meio de transporte. Os indefectíveis tonéis azuis de plástico, até então utilizados no armazenamento do leite, agora servem para buscar água nas últimas cacimbas que ainda não perderam a luta para a evaporação.

  Nem mesmo a família do presidente ameniza o tom crítico quando o assunto é a assistência governamental de convivência com o Semi-árido. Primo "legítimo" de Lula e passageiro do ônibus que levou membros e amigos da família Silva para a posse do parente em Brasília, o agricultor Antônio Ferreira de Melo, 56, mais conhecido como Antônio de Sérgio, é enfático ao apontar o motivo de tamanha carência. "Não é de agora que o município de Caetés sofre com isso. O problema é que o Governo (federal) se preocupa em dar Fome Zero, mas acaba esquecendo da realidade do agricultor. Todo mundo fica nessa agonia pela chuva, e quando ela não vem a única coisa que vinga é a palma e mandioca", relata o primo, que mora a poucos metros das ruínas onde nasceu o chefe da Nação, na comunidade de Várzea Comprida.

  "A gente fica numa sinuca danada. O terreno é muito arenoso, a água de poço é salgada e sem chuva só sobrevive quem pode comprar uma carrada d'água", ressalta o agricultor Geraldo Caetano Ribeiro, 43. A aposta da prefeitura local para livrar a cidade da dependência das precipitações está na criação da adutora, idealizada há mais de dois anos e concretizada apenas em um pedaço de papel.
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