Em fevereiro, o Instituto Ricardo Brennand divulgou um balanço de sua visitação desde a inauguração, em 2002. Até o mês passado, o espaço já havia sido visitado por 517 mil pessoas. A divulgação dos números coincide com uma tabela publicada na revista Veja, há duas semanas, sobre os museus mais visitados do Brasil. Cruzando os dados, constata-se que o IRB, que não aparece na revista, está entre os cinco espaços expositivos mais visitados do País. O feito é inédito para uma instituição do Nordeste.
O Instituto Ricardo Brennand está com uma média anual de visitação de 221 mil pessoas. A Pinacoteca do Estado de São Paulo (que também não era mencionada na Veja) recebe quase o dobro de visitantes, atraindo 400 mil por ano, seguida pelo Museu do Ypiranga (350 mil), Imperial de Petrópolis (350 mil) e Masp (230 mil). O IRB está à frente de instituições tradicionais como o MAM de São Paulo e o Museu Nacional de Belas Artes. Exposições esporádicas, algumas sem local fixo, chegam a atrair mais gente, como a Bienalde São Paulo, que em 2004 bateu o recorde de público com 917 mil em menos de seis meses.
Diferente da maioria dos mencionados, o IRB fica em um bairro de periferia, a 12 quilômetros do Centro do Recife. O Masp se localiza na Avenida Paulista, o MAM no Parque do Ibirapuera e a Pinacoteca no Centro de São Paulo, ao lado de uma estação de metrô, três ambientes com circulação alta natural, independente das eventuais exposições. O fluxo turístico no eixo Rio-São Paulo também é maior e possui outro perfil em comparação ao Nordeste, onde as praias são atrativo. A quantidade de novas exposições nas instituições daqueles estados também é mais numerosa, assim como a vinda de artistas famosos estrangeiros. O IRB ainda não tem nenhuma nova mostra prevista, pois busca patrocinadores, e vem se mantendo com seu próprio acervo.
O público das exposições no Brasil, entretanto, não chega perto do que atraem os maiores museus estrangeiros, como o Louvre, em Paris, que tem uma média anual de 6 milhões de visitantes. Essa diferença é conseqüência menos de falta de investimentos em arte do que de hábitos culturais e turísticos e estrutura educacional. Há brasileiros que visitam museus quando estão na Europa e nos Estados Unidos, mas não o fazem no Brasil.
Dos 517 mil que foram ao Instituto Ricardo Brennand em todo o período de funcionamento, 239 mil são estudantes acompanhados de professores. Esse êxito do museu, portanto, é conseqüência direta de um investimento nos programas de arte-educação. A maioria dos visitantes do IRB vem de colégios que realizam excursões para os castelos da Várzea. Ao todo, já foram registradas visitas de alunos de mais de 3 mil escolas da rede de ensino do Recife, do Interior e de estados vizinhos.
O Instituto foi inaugurado com a exposição Albert Eckout, em 2002, que atraiu 160 mil pessoas. Depois de um intervalo, entraram em cartaz em 2003 as mostras de Frans Post e a coleção de armas, armaduras e antigüidades do Castelo São João, que continuam em exibição até hoje, acumulando um público de 357 mil visitantes, sendo 149 mil no primeiro ano e 189 mil em 2004, quando dividiram o espaço com História em Quadrões, de Maurício de Souza. Em 2005, já foram ao IRB mais de 19 mil espectadores.
Números
BRASIL
Pinacoteca do Estado (SP) - 400 mil
Museu do Ypiranga (SP) - 350 mil
Museu Imperial de Petrópolis (RJ) - 270 mil
Museu de Arte de São Paulo - 230 mil
Instituto R. Brennand (PE) - 221 mil
Museu de Arte Moderna (SP) - 210 mil
Museu da Inconfidência (MG) - 100 mil
Museu Nacional de Belas Artes (RJ) - 75 mil
Museu Nacional (RJ) - 85 mil
Museu de Arte Moderna (RJ) - 55 mil
EXTERIOR
Louvre (Paris) - 6 milhões
Metropolitan (Nova York)- 5 mi
British Museum (Londres)- 5 mi
Museum of Modern Art (Nova York) - 3 mi
Prado (Madri) - 2 mi
Serviço
Instituto Ricardo Brennand, exposições de Frans Post e acervo do Castelo São João Quando: Terça a domingo, das 13h às 17h Onde: Engenho São João, Várzea (por trás da Escola Técnica Federal) Informações e agendamento: 2122.0300 Média anual de visitações de museus
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