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Edição de Segunda-Feira, 21 de Março de 2005 
Viver | Cultura nordestina invade Curitiba
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VIVER
Cultura nordestina invade Curitiba
FESTIVAL
Ivana Moura
Enviada Especial
CURITIBA - Nove horas da manhã de um domingo ensolarado em Curitiba. Na esquina da rua Recife com a rua Bom Jesus (só faltou o Marco Zero), o ator, músico e bailarino Hélder Vasconcelos toma café-da-manhã e se prepara para ministrar o curso Presença Cênica do Cavalo-Marinho para o público do Festival de Teatro e adianta ao DIARIO seus projetos para este ano. O brincante, que durante 11 anos foi integrante da banda Mestre Ambrósio, fez duas apresentações do espetáculo Espiral Brinquedo Meu no Fringe (mostra paralela do festival), na sexta e no sábado. Uma platéia reduzida e entusiasmada com a performance do folgazão aplaudiu a exibição como um reencontro com a cultura popular nordestina.

  Com suas figuras do imaginário popular, gestadas no seio do maracatu e do cavalo-marinho, Hélder emocionou, magnetizou e seduziu uma pequena platéia ao propor loas, desenterrar da memória do espectador toadas antigas, encarnar uma velha que resolveu aproveitar a vida depois que perdeu o marido beberrão e outras performances divertidas. A noite foi encerrada com uma grande ciranda.

  Este ano, Hélder vai investir na sua Espiral e já conseguiu ser inserido no projeto Palco Giratório, do Sesc nacional. A partir de maio, tem apresentações programadas no Norte, Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul. É uma senhora vitrine para este novo ciclo profissional do artista. Como sua ligação com o maracatu e o cavalo-marinho é antiga e orgânica e sua formação vem do teatro de rua, ele já conta com uma gramática de movimentos e motivações. Há 14 anos, Hélder participa do Maracatu Piaba de Ouro, do mestre Salustiano, e no próximo trabalho, que só deverá estrear em 2006, vai utilizar todos os elementos introjetados ao longo de 34 anos, mas que chegam sob a formação de um espetáculo de dança.

Fábulas - Sete pequenas histórias de domínio público formam a encenação Um Livro de Fábulas, com texto de Ana Elizabeth Japiá e direção coletiva. A montagem infantil e a peça Espiral foram as duas representantes pernambucanas no FTC. Para participar doFringe, os grupos precisam de muita determinação. Cento e oitenta e oito espetáculos de todo o Brasil estão na grade paralela, uma mostra que funciona como a grande vitrine do festival, não dispõe de curadoria e coloca lado a lado montagens com produção estética e grupos amadores. Para ter sucesso nesse campo, precisa-se de planejamento e grande pitada de sorte.  

  Com recursos de teatro de sombra, o grupo Teatro Marco Zero costura as histórias de Um Livro de Fábulas numa fazenda de um família pobre e o grande trunfo é justamente a despretensão da obra, que toca pela simplicidade. A vinda do grupo a Curitiba contou com o patrocínio da Chesf e o apoio da Fundarpe.

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