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Atualizado em 20|03|2005 
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Domingo
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Hoje eu quero sair só
Juliana Pessoa
Especial para o DIARIO
Entre a preocupação com as saídas e a dificuldade de ver que os filhos cresceram, pais vivem o dilema de soltar as crias no Mundo

Não fale com estranhos, não aceite bebidas de ninguém, fique com seus amigos, deixe o celular ligado e, em hipótese alguma, saia sozinho do lugar. Normalmente, logo depois que os pais soltam toda essa conhecida ladainha, vem um "já sei, mãe!". Essa situação coloca de um lado os filhos que já se acham maduros o suficiente para sair só com os amigos, sem ter que pagar o mico de ter alguém mais velho a tiracolo; e, de outro, os responsáveis que têm que lidar com o dilema de saber se já é hora ou não de soltar as crias, e quais limites devem ser estabelecidos.


As irmãs Natália, 11 anos, e Bruna, 13, vão negociando as saídas com a mãe, mas a mais velha reclama que a outra tem mais liberdade. Foto: Alcione Ferreira.
  "Toda vez é o mesmo discurso, não faça isso, não faça aquilo. Já decorei", enfatiza Bruna Pontual, 13 anos, que se acha pronta para encarar as saídas. O texto já está na cabeça dos filhos, mas a preocupação dos pais não é pouca. "Acho que a liberdade tem que vir com o tempo. Tenho medo da violência", opina a odonto-pediatra Verônica Pontual, mãe de Bruna. A preocupação é coerente e a observação também. De acordo com a psicóloga Cristina Brito Dias, especialista em terapia familiar e professora da Universidade Católica de Pernambuco, a liberdade para ir e vir deve ser concedida aos poucos, de acordo com a maturidade do adolescente e com a confiança que ele estabelece com os pais. "Não existe um momento pré-determinado de quando eles estão prontos para saírem sós. Depende muito do relacionamento em casa e da confiança e amizade entre pais e filhos", enfatiza a psicóloga.


Renata, 15 anos, orgulha-se de sair sozinha desde os 13, mas argumenta que o diálogo em casa é fundamental. Foto: Alejandro Zambrana/Especial para o DIARIO.
  Passar a tarde no shopping com a turma, ir a festinhas de aniversários, matinês e shows geralmente são os primeiros programas em que a galerinha começa a querer marcar presença na busca de independência. É natural da idade e do crescimento, mas alguns cuidados e limites devem ser estabelecidos. "A liberdade tem que chegar de forma gradativa, de acordo com o amadurecimento de cada um", destaca a psicóloga. Portanto, apresentar os amigos, dizer como e para onde vai e prever horários de chegada pode ser uma boa maneira de negociar as saídas com os pais.

  "Dependendo do lugar posso chegar às 2h30 ou até às 4h30, mas sempre tenho que combinar antes com minha mãe", explica Renata Vasconcelos, 15 anos, que se orgulha de sair sozinha com as amigas para shows desde os 13. "Às vezes acho que sou solta demais, mas tenho maturidade para isso." A mãe de Renata, Valéria, diz que manter sempre um diálogo com a filha é de suma importância. "O mundo está muito diferente, não é só a violência; os jovens também estão mais afoitos em relação à bebida e outras coisas. Procuro conversar bastante com ela".

  

Queixa - Na hora de conquistar a liberdade, os primogênitos têm sempre uma reclamação na ponta da língua: "Ela tem mais facilidade pra conseguir algumas coisas do que eu tive", reclama Bruna em relação às conquistas da irmã mais nova, Natália, 11. A irmã explica "Eu já sei como funcionam algumas coisas porque acompanhei a Bruna". Verônica, a mãe, defende-se: "Depois do primeiro, a gente sabe melhor como é e vê que é possível liberar algumas coisas antes."

  Apesar dos protestos dos filhos, no fundo é reconfortante ver e sentir a preocupação dos pais. "Eles ficam tranqüilos quando sabem que estão sendo cuidados por alguém", esclarece a psicóloga. E para que essa calmaria seja duradoura, é importante que o exemplo parta dos próprios pais. Conversas sem mentiras e sem enrolações garantem que as negociações sejam mais pacíficas, além de ajudarem na formação da personalidade e do caráter dos jovens. Do mesmo jeito que os filhos têm que ir conquistando seu espaço gradativamente, dos adultos se espera a compreensão de que as crianças estão crescendo.

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