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Edição de Terça-Feira, 8 de Fevereiro de 2005 
Especial | A hora e a vez do maracatu rural
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Especial Carnaval Sangue novo do Maracatu
A hora e a vez do maracatu rural
Tradição dos caboclos de lança mostra renovação em Nazaré da Mata com grupos que também se apresentaram na Cidade Tabajara, em Olinda
Até pouco tempo atrás, contava-se nos dedos o número de maracatus rurais em atividade no Estado. A força de homens e mulheres da Zona da Mata e do Grande Recife fez essa realidade mudar. Hoje, existem mais de 80 grupos divulgando uma das principais manifestações do Carnaval pernambucano. Ontem, foi o dia de todos se encontrarem, levando a tradição dos caboclos de lança para as ruas de Nazaré da Mata, na Mata Norte, e para a Cidade Tabajara, em Olinda.

  Em Nazaré da Mata, a 64 quilômetros do Recife, o desfile dos maracatus começou um pouco depois das 9h30 com a presença de quase 20 grupos. Muitos deles fundados há menos de dez anos no próprio município, como o Leão Cultural, de 2000, e o Brasileirinho, de 2002. "É preciso manter a tradição. Quanto mais maracatus, melhor", resumiu Antônio Pacheco Filho, 40 anos, fundador do Brasileirinho e caboclo de lança desde 1984. Antes do Brasileirinho, Antônio brincava no Leão Formoso.

  "Sempre gostei do baque solto, mas a bebida não me deixava participar", declarou Antônio, casado e pai de quatro filhos pequenos. O mestre Zé Duda, que comanda o Estrela de Ouro há 34 anos, acha importante o surgimento de novos grupos. Mas fez questão de ressaltar que quem quer participar deve entender a cultura do maracatu.

  Na praça da Catedral, ponto de encontro dos grupos, as apresentações emocionaram os turistas e moradores de Nazaré. A turismóloga Gabriela Coelho saiu do Recife e foi assistir ao espetáculo com toda a família. "É muito lindo. Vim conferir depois de tanto ouvir falar", disse.

Na Cidade Tabajara, os maracatus de 25 cidades da Zona da Mata Norte desfilaram durante todo o dia com apresentações de cerca de dez minutos para cada grupo, no espaço Ilumiara Zumbi e na Casa da Rabeca. A abertura do evento, que se repete há 15 anos, aconteceu logo no início da manhã com o maracatu Piaba de Ouro, que também desfilou pelas ladeiras de Olinda com boa parte dos seus 80 integrantes.

  Na Casa da Rabeca, alguns dos maracatus foram apresentados pelo Mestre Salustiano, acompanhado pelo prefeito do Recife, João Paulo. Foi o caso do Corpos Percussivos, liderado por Jorge Martins, que desde 98 coordena uma escola de percussão no Recife Antigo e, há três anos, também organiza um intercâmbio com percussionistas de Nova York. "Veja só, até nos Estados Unidos já podemos ouvir o maracatu", afirmou o Mestre Salu.

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