Mestre bom mesmo só abre a boca para cantar o que é seu, ensina seu Zé Birro, há trinta anos puxando os versos de vários maracatus de baque solto de Pernambuco. Após idas e vindas, ele está outra vez à frente do Leão Brasileiro. "Eu não faço verso quebrado nem poesia ao contrário. Eu sou completo e minhas ordens são sempre adequadas, temos todos os personagens e canto certo para todos eles. As minhas músicas são as minhas marchas e ninguém consegue pegar", gaba-se Zé Birro, lembrando que há cerca de um mês, quando todos pensavam que ele não sambava mais, fez bonito na casa de Mestre Salustiano, que confirma a performance de Zé Birro. Severino Francisco dos Santos, desde os oito anos brincando maracatu escondido da mãe, que achava perigosa a brincadeira, é conterrâneo do Mestre Salu. Nasceu no Engenho Cumbe, em Nazaré da Mata, em 1935.
 Zé Birro comanda as sambadas do maracatu Leão Brasileiro e diz que o bom mestre tem que saber improvisar. | Mudou-se para o Recife em 1967, depois que Salu e outros amigos de infância haviam feito o mesmo. Aqui foi pedreiro, encanador e carpinteiro, até começar a brincar outra vez no maracatu rural. Primeiro, no Leão Brasileiro, depois, no Águia de Ouro. Nesse tempo, voltou a Nazaré para brincar o Carnaval no Leão Formoso. Também foi a Lagoa de Itaenga, onde reinava o Leão Coroado. Novamente em Nazaré, brincou no Águia Misteriosa, volta para o Leão Brasileiro, vai pro Leão da Mata Norte, e fica nesse vai e vem até assumir, outra vez, o Leão Brasileiro.
Ele diz que o bom mestre tem que improvisar, saber todos os tipos de marchas que se canta dentro de um maracatu: samba de 10, de 8, de 6... Tem que saber usar o apito na hora certa e dar o corte do apito. Saber ainda orientar o terno e a brincadeira de modo geral, se algo estiver errado. Zé Birro já foi violeiro e ainda tem o manejo. Poesia, diz, "é comigo mesmo, um dom de Deus". Zé Birro mantém uma relação de mestre brincante com os maracatus. Não quer a responsabilidade de dirigir nenhum deles, apenas o prazer que a brincadeira proporciona. "A gente que trabalha com a poesia tem que ter juízo simples", ensina.
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