BRASÍLIA - A cúpula do PMDB deve se reunir hoje à tarde com o presidente Lula para tratar de reforma ministerial, mas a expectativa geral é de que a conversa não será conclusiva. Embora o próprio presidente tenha tomado a iniciativa de agendar o encontro, quando recebeu o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder Renan Calheiros (PMDB-AL) na semana passada, prevalece no Governo e no PMDB a avaliação de que as negociações com os aliados mal começaram e que Lula não tem pressa.
"Pode acontecer qualquer coisa neste encontro, inclusive nada", previa ontem o líder Renan a deputados e senadores peemedebistas que fizeram uma romaria ao gabinete da liderança em busca de notícias. "Está todo mundo se perguntando o que vai acontecer", emendou Renan aos mais insistentes, confessando não ter informações sobre o encaminhamento da reunião. Lula é quem dará o tom da conversa. Os peemedebistas não vão avançar o sinal para adiantar os pleitos do partido, a menos que isto lhes seja perguntado.
Segundo um dirigente nacional do partido, até ontem à noite o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), não havia sequer sido convidado a participar do encontro. Em caso de audiência com o presidente da República, o convite tem de ser oficial. "Não há outra forma", queixou-se Borba a um liderado, ao observar que, sem a presença do líder da bancada, a Câmara não estará representada. E sem a Câmara, completou o interlocutor, não há negociação eficaz com o PMDB em torno da reforma ministerial.
A falta de informação sobre o encontro que o próprio Lula havia proposto para segunda-feira reforçou a suspeita de líderes governistas e peemedebistas de que o timing do presidente é outro: a reforma pode acabar adiada para depois do Carnaval e da sucessão nos postos de comando do Congresso, marcada para 15 de fevereiro.
José Sarney evitou comentar a provável indicação da filha, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), para o ministério do Governo Lula. Afirmou que a ex-governadora do Maranhão é politicamente independente e que o tema o constrange. Ele tampouco quis especular sobre o espaço que caberá ao partido no Governo petista. Mas dispôs-se a trabalhar para unificar o partido.
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