JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, voltou atrás na decisão de suspender os contatos com a Autoridade Palestina (AP) e autorizou a reunião de militares de alta patente com altos funcionários palestinos do setor de segurança para tratar da contenção das ações armadas na Faixa de Gaza. A reunião ocorreu no posto de fronteira de Erez, norte do território.
Depois que Sharon se reuniu com seu gabinete de segurança, a mídia israelense informou que ele decidiu "dar uma última oportunidade" aos líderes palestinos para pôr fim aos ataques com foguetes contra o território de Israel. O gabinete autorizou o governo a lançar uma ofensiva de grande escala na Faixa de Gaza, que incluiria a reocupação de áreas autônomas, se os disparos prosseguirem. A decisão de dar uma nova chance às negociações reflete a moderação trazida ao novo governo Sharon pelo Partido Trabalhista, de centro-esquerda.
Em nova demonstração de que está disposto a conter os ataques de grupos radicais contra Israel e as colônias judaicas na Faixa de Gaza, o novo líder palestino, Mahmoud Abbas, ordenou ontem que as forças da AP retomem o controle da fonteira entre o território e o sul israelense - de onde militantes das facções islâmicas têm lançado foguetes contra a cidade israelense de Sderot. Ele também destituiu nos últimos dias dezenas de assessores do ex-presidente Yasser Arafat, como primeiro passo na reforma da AP.
Ontem, pela primeira vez em semanas o Hamas não disparou contra Sderot, mas atacou colônias judaicas e atingiu com uma bazuca um blindado do Exército de Israel perto de Erez. Um israelense ficou ferido. Na terça-feira, um atacante suicida do Hamas matou um israelense e feriu outros oito.
Fim - Líderes religiosos do Hamas estavam reunidos ontem em Gaza para decidir se acatam a ordem da AP de pôr fim aos ataques. Um dia antes, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa - uma facção da Fatah - anunciou um cessar-fogo de 48 horas.
O chefe da Força Especial da AP na Faixa de Gaza e Cisjordânia, general Abdel Rasek elMajaide, informou que 750 policiais serão deslocados para a fronteira nos próximos dias. Eles foram recrutados entre as várias unidades de segurança da AP. Majaide é o principal comandante de segurança do governo.
Abbas e seus chefes de segurança estão desde terça-feira na Faixa de Gaza em negociações com grupos palestinos para acertar um cessar-fogo. Em sua campanha, e no discurso de posse, no sábado, Abbas enfatizou que não pretende usar a força contra os militantes. Os comandantes das unidades de segurança também não vêem como se impor sobre os grupos radicais. "Se tivermos de lutar contra elas, perderemos e haverá um banho de sangue', disse o general Saeb al-Ajez.
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