O Ibope/NetRatings também acaba de publicar sua pesquisa de uso da internet no trabalho, indicando profissionalização crescente no uso da rede. De acordo com o instituto, empresários e profissionais liberais utilizam a web tanto quanto os estudantes em tempo integral. No entanto, outro dado da pesquisa chama atenção: a crescente profissionalização do uso da web, mesmo no domicílio, segundo a diretora-executiva do Ibope/NetRatings, Fábia Juliasz.
"Empresários e profissionais autônomos já superam os estudantes em tempo integral em termos de uso da rede no domicílio (42hs e 33min, contra 40hs e 28min dos estudantes no trimestre). Além disso, os profissionais liberais também estão praticamente empatados com os estudantes, com 40hs e 23min", compara.
Segundo o estudo, cerca de 27 milhões de brasileiros possuem acesso no local de trabalho, e 29 milhões em casa (os números incluem também os que possuem acesso em ambos os locais). A popularização da internet banda larga pode ser apontada como uma das principaisresponsáveis pelo fenômeno. Com ela, surgiram verdadeiros escritórios domésticos, onde profissionais trabalham longe de suas empresas sem, muitas vezes, nunca ter posto o pé na sede, ou só conhecer o chefe e os colegas de trabalho via e-mail, ou mensagens instantâneas.
É o caso da estudante de jornalismo Juliana Dutra, que trabalha em casa para uma empresa de mídia eletrônica sediada em Portugal. "O convite surgiu muito por acaso. Eu tinha pego uma carona com um amigo, e ele recebeu um telefonema de lá dizendo que precisavam de alguém que fosse envolvido com jornalismo, gostasse de computadores e internet e fosse de confiança. Daí ele disse que estava com a pessoa no carro, virou-se para mim e perguntou se eu queria. Na hora respondi que sim", lembra.
On-line- Juliana já está há sete meses no barco. "No começo, eu ia ficar ajudando apenas durante três meses, depois fui ficando, ficando... Todos os contatos foram feitos por e-mail, só conheço esse amigo que me chamou, mas quem me dá as ordens mesmo são os portugueses. Ano que vem vou a Portugal, só não sei se os verei ou não", brinca.
A estudante explica que passou algumas dificuldades. "O ruim, no começo, foi tentar escrever em português de Portugal. No entanto, a vantagem de trabalhar em casa, na faculdade ou até mesmo no estágio, na hora que quero e posso, além de ter uma experiência internacional, vale a pena. Além disso, vejo o que está acontecendo lá fora, pois tive que fazer a avaliação de dezenas de sites, e acabei começando a me interessar por design. Por fim, o dinheiro, que no começo, me chamou a atenção, pois paga melhor do que certos estágios!", comemora. Não ter horário, no entanto, nem sempre é uma boa. "Passei as férias de julho das 11h às 2h em frente ao PC sem sair, pois era muita coisa para fazer e, como eu queria acabar logo e ter ao menos uma semana de férias, acabei ficando meio neurótica para fazer e acabar tudo logo", conta.
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