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Atualizado em 16|01|2005 
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Domingo
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Intimidade partilhada no consultório
Juliana Pessoa
Especial para o DIARIO
Uma cena é clássica na vida de toda garota. Chega uma idade em que tios, tias e amigos dos pais se espantam com o fato de que a menininha do passado cresceu e se tornou uma mocinha. O fato é que realmente o tempo passa, logo a puberdade chega e, junto com ela, as mudanças no corpo. Para as meninas, essas transformações acontecem com maior intensidade depois da menarca, a primeira menstruação. Atualmente, essa fase chega ainda mais cedo devido a fatores como mudanças nos hábitos e na alimentação, para algumas aos nove anos de idade. Essa novidade abre as portas para mais uma experiência: a primeira consulta com um ginecologista.


Tânia Pires, a ginecologista, diz que ida tem que ser "sem pressão"; Maria Fernanda, assume que foi porque precisou. Foto: Júlio Jacobina.
  Para muitas garotas esse assunto ainda é motivo de vergonha e timidez. De acordo com uma pesquisa da empresa de produtos de higiene pessoal e doméstica Kimberly- Clark Brasil - realizada com jovens do Brasil, Colômbia, Costa Rica e Argentina - as mais novas, de 10 a 12 anos, olham o fato de menstruar como uma forma de colocar limite na infância. Já para as mais velhas, entre 14 e 15anos, é um alívio finalmente virar uma mocinha. Do mesmo modo, o primeiro encontro com um médico que não é o tio ou a tia pediatra também pode ser desconfortável. "Só fui ao ginecologista três anos depois de menstruar, aos 15 anos, e só por que tinha muita cólica", lembra a estudante Mariana Fontes, hoje com 16, que relutou antes de ir. Assim como ela, a maioria das adolescentes só encara a consulta quando algum problema aparece.

  A ginecologista Tânia Pires afirma que a preocupação das mães em levar as filhas ao consultório é grande após a primeira menstruação. "É normal elas se preocuparem, mas a menina deve ir quando há alguma queixa ou interesse e dúvidas a serem esclarecidas, sem pressão", explica. Ela enfatiza que as mães não devem obrigar suas filhas a irem ao médico. "A menina tem que se sentir a vontade".

  Para os médicos, é imprescindível manter um diálogo aberto com as novas clientes e adquirir sua confiança. "A consulta tem que ser uma grande conversa. Sem ser muito técnica, para não espantar,e sem deixar de lado o motivo da vinda", destaca Tânia. Esse papo envolve desde temas como depilação até doenças e higienização. Quando é cabível na situação, a discussão sobre métodos anticoncepcionais completa a consulta. "A primeira consulta foi tranquila. Conversei muito com ele e pude tirar minhas dúvidas. Foi bom", lembra a estudante Maria Paula Lopes, 18.

  Falar com uma pessoa estranha sobre assuntos pessoais pode ser difícil. Por isso, muitas meninas preferem ter a companhia da mãe nessa hora. Ao mesmo tempo, a presença dela também pode intimidar na hora de trazer a tona algumas perguntas. "Preferi ir sozinha e minha mãe também achou melhor. Assim é mais fácil não ter vergonha", opina Maria Paula. Com 17 anos, a estudante Maria Fernanda Pires teve sua primeira conversa com a médica há um ano e, apesar da ansiedade ela diz que foi importante. "Fiquei nervosa mas passou rápido, até por que minhas primas mais velhas já tinham me contado como era".

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