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Edição de Terça-Feira, 18 de Janeiro de 2005 
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Opinião
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Comparações

O Brasil já foi a vigésima, trigésima economia do Mundo, não faz muito tempo. À medida em que cresce a população e vamos aos saltos, ocupando os espaços agricultáveis do território, o País se torna ainda mais notório como presença nos diversos rankings mundiais que medem o viço das economias competitivas que se engalfinham na extensa arena que é o mercado global.

  Ainda recentemente, o acreditado "Financial Times", de Londres, coloca o Brasil como a nona economia do Mundo. Três ou quatro anos atrás, regredimos dessa posição, ficando atrás por exemplo do México e Espanha. Mas, ultimamente, retomamos, ao que se pensa em definitivo, um lugar dentre as dez maiores economias do planeta.

  Quando olhamos pelo retrovisor o desempenho brasileiro em matéria de comércio exterior, o recém-findo 2004 tem tido bastante coisas a contar, sendo uma delas - provavelmente a mais saliente - o saldo de US$ 34 bilhões da Balança Comercial. O saldo em apreço não apenas é relevante pelo que representa nas contas externas do País. Ele também é significativo por outro ângulo, que é o confronto atualíssimo com outros saldos comerciais.

  Os quase US$ 34 milhões de saldo no Brasil colocam o nosso País no sexto lugar no ranking mundial de resultados com o comércio exterior. Dizem as folhas especializadas que nos últimos doze meses o Brasil galgou dois degraus nesse ranking, saindo da oitava posição para a sexta que assinalamos acima e superando os tigres asiáticos que são a Coréia do Sul e a Indonésia.

  Se é exato que o Governo brasileiro concorreu para os brilhantes resultados, ao atribuir estabilidade econômica e taxa de câmbio favorável, é certo que das circunstâncias favoráveis veio de se aproveitar, agilmente, a economia privada nacional sobretudo voltada para o comércio exterior. Nesse mercado, a União Européia tomou o lugar privilegiado dos Estados Unidos, adquirindo 25% das nossas exportações. Já a América Latina em conjunto absorveu 21% das exportações brasileiras, quando dois anos antes comprava, apenas, o equivalente a 17%.

  Se o País desfruta agora de uma posição satisfatória, no que se relaciona ao comércio em si, a presença brasileira noutras comparações não se tem feito tão favorável quanto poderíamos desejar. No ranking que mede o grau de liberdade econômica, o Brasil ocupa a 90ª posição entre 155 países avaliados. Contribuíram, decisivamente, para a precária posição brasileira nesse ranking, o tamanho descomunal da carga fiscal que asfixia a atividade econômica e o consumo e a política monetária apertada. Ambas as circunstâncias são decorrência da atividade estatal tida e havida como fortemente interferente.

  Enquanto o País arrosta o desprestígio de se posicionar mediocremente no ranking crucial da liberdade econômica, o Chile se tornou o único país latino-americano a se colocar entre os doze países do Mundo mais bem situados. O Chile ocupa o 11º lugar e os Estados Unidos, declinante agora, a 12ª posição.

  Quando, pois, voltarmos aqui a mencionar a retomada da Reforma Tributária, não deveremos esquecer a pugna por uma economia menos dependente da vontade e caprichos da máquina estatal. O intervencionismo é em qualquer hipótese distorcivo, ele em geral intoxica antes de favorecer o crescimento e a expansão que é tudo quanto querem os brasileiros. É preciso galgar posição na robustez econômica e, também, na qualidade dos esforços com os quais a estimulamos.


Aos novos médicos

Ney Cavalcanti
MÉDICO

É do conhecimento geral a péssima distribuição de renda no Brasil. Uma das piores do Mundo. A insensibilidade de nossas elites, com os pobres, chega a ser imoral. O problema sequer melhora nas raras épocas de desenvolvimento econômico. As políticas sociais não têm sido sequer minimamente eficientes.

  Ano após ano, os pobres ficam cada vez mais pobres, cada vez mais excluídos, mais miseráveis. As ações governamentais, quase sempre, fracassam. A carga tributÁria é extremamente injusta para com os menos afortunados, que pagam proporcionalmente mais que os ricos. E os precários benefícios que os impostos deveriam proporcionar, beneficiam principalmente os que têm maior poder aquisitivo.

  A nossa pobreza não suporta mais ser tão maltratada. A violência atinge patamares assombrosos, embora a pobreza não seja causa da violência. Mas desigualdade sim. Os excluídos brasileiros convivem com as piores condições de saneamento, habitação, saúde, previdência e, obviamente, educação. Um estudante pobre tem imensas dificuldades para conseguir ingressar no ensino superior público.

  É concorrência desleal com os menos afortunados, pois além de todas as outras dificuldades que a pobreza acarreta, o precário nível do ensino médio estatal torna o acesso à Universidade, praticamente impossível. Qualquer atitude voltada a minimizar as nossas desigualdades merece ser aplaudida.

  Ninguém duvida das boas intenções daqueles que têm proposto critérios diferentes, que não o nível do conhecimento, para admissão na Universidade pública. Os carentes estudantes de escolas públicas e os negros teriam um número de vagas determinadas, as quotas. Não seriam obrigados a competir, intelectualmente, com os alunos de padrão socioeconômico e cultural superior, provenientes do ensino privado. Os proponentes dessa maneira diferente de acesso ao curso superior, naturalmente se apoiaram no que ocorre em alguns países desenvolvidos, apesar da realidade muito diferente da nossa.

  Seria esta medida, a mais adequada na tentativa de melhorar a nossa vergonhosa desigualdade social. Existem, no entanto, ponderáveis argumentos avaliando que tal conduta traria enormes prejuízos, não só à Universidade, mas à própria sociedade e até às minorias para quem a lei destina-se a proteger.

  E como reagirá o mercado de trabalho aos admitidos na Universidade por quotas? Qualquer alternativa não seria desejável, inclusive agravando o caráter discriminatório que a sociedade brasileira tem em relação aos seus excluídos.

  O maior dano, porém, poderia ser para a Universidade e para a própria sociedade. Foi a sociedade quem criou, e mantém com muito sacrifício a custos elevadíssimos, a Universidade, cujas principais finalidades são a geração e transmissão do saber. Com a queda do nível intelectual dos seus componentes, haveria inevitáveis prejuízos dessas suas funções. Seria tentar corrigir um grande erro, com o outro, talvez ainda maior.

  Afinal, atribuir à Universidade a responsabilidade e a capacidade de corrigir a vergonhosa distribuição de renda, e o péssimo ensino médiopúblico, poderia ser um monumental engano. Ela não terá nunca a capacidade sequer de atenuar o problema, podendo ser extremamente comprometida nos seus objetivos.

n Extraído do discurso proferido na solenidade de formatura da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, no dia 16 de dezembro de 2004.


As relações Brasil-Argentina

Humberto França
ESCRITOR

Ao se estudar obras de história das relações, Brasil, Argentina, constatam-se dificuldades na condução da política externa argentina desde o século XIX. Enquanto o Barão do Rio Branco lançava as bases de uma política externa brasileira independente, evitando alianças excessivas e confrontações desnecessárias, E. Zeballos, o chanceler argentino, se ocupava em propor ao seu governo, planos mirabolantes para atacar o Rio de Janeiro e dominar o Brasil.

  Nos inícios dos anos de 1930, as crises internas da Argentina desaguaram no golpe contra o presidente Hipólito Yrigoyen. O levante fora urdido pela aristocracia criolla, que nunca conseguiu forjar um projeto nacional para o seu país. Na mesma época, no Brasil, a Revolução de 1930 tomou o rumo da modernização, resultando no projeto da siderurgia nacional, financiado pelos americanos, que veio a se constituir num fator decisivo para o progresso do país

  A Argentina seguiu outro rumo. Segundo afirma Moniz Bandeira, o país do Prata, desde a segunda metade do séculoXIX tornou-se praticamente uma espécie de colônia da Grã-Bretanha, pois os produtores agrícolas argentinos optaram por um estreitamento das ligações econômicas com os britânicos, que persistiram até o término da Segunda Grande Guerra. Nos meados do século passado, a aliança mostrou-se desastrosa para a economia argentina, pois a Grã-Bretanha perdeu o seu Império e sua posição hegemônica e não mais conseguiu dar suporte à economia argentina.

  Por outro lado, a neutralidade e o disfarçado apoio dos argentinos aos Países do Eixo contaminaram, à época, as relações da Argentina com os Estados Unidos. No auge da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas teve de convencer F. D. Roosevelt a não invadir a Argentina. A insustentável política de Buenos Aires durante aquele conflito resultou num evidente prejuízo, que os ganhos do período do pós-guerra não compensaram.

  Além disso, a posição de competição entre a Argentina e os Estados Unidos na comercialização de produtos agrícolas e carnes, sempre foi de desvantagem. Acrescente-se, que a instabilidade política e a retomada do poder pela oligarquia rural após a queda de Perón levaram a Argentina a um processo de desindustrialização, que mais tarde se agravou com a catastrófica gestão de Martinez de Hoz, ministro de Isabelita Perón. Nos anos 1990, a política de "relações carnais" com os Estados Unidos, seguida pelo presidente Menem e pelo ministro Cavallo, conduziu o país a um alinhamento excessivo com a República do Norte, que afinal, mostrou-se equivocado, não resultando em ganhos reais para os argentinos.

  Neste início de milênio, o Brasil desponta como uma potência econômica, sendo o seu PIB (ONU-2002) maior do que a soma dos PIBs de todos países da América do Sul, incluindo-se o da Argentina. O PIB do Brasil é também superior à soma de todos os PIBs dos países da África, excetuando-se o da África do Sul. Note-se que a população do continente africano é de 795 milhões, distribuída em 49 nações.

   O Brasil precisa assegurar a continuidade da sua competente estratégia política internacional. O nosso país tem de manter suas alianças históricas e, a exemplo da China, por conta própria, assumir suas responsabilidades, não somente na América do Sul, mas em toda a bacia do Atlântico Sul, para se colocar definitivamente entre as nações líderes do Mundo.

e-mail: umbertopimentel@bol.com.br


Desvio do foco sobre a educação infantil

Magno de Aguiar Maranhão
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO RIO DE JANEIRO

O Governo quer dilatar para nove anos o ensino fundamental, reduzindo de sete para seis anos a idade-limite para o ingresso. Motivos: equiparar oportunidades educacionais entre crianças pobres e as mais favorecidas e, sobretudo, adaptar nosso sistema de ensino ao vigente nos demais países do Mercosul. Ora, há algo errado. Caso queiramos nos adequar aos padrões de nossos vizinhos na área da educação, a solução, ao menos agora, não é esticar o já precário ensino fundamental como um elástico, fragilizando-o, mas aumentar o investimento na educação infantil, até nos aproximarmos do que companheiros de Mercosul, como Argentina e Chile, investem neste nível (30% e 50% a mais). Este é, também, o meio mais eficaz de equiparar oportunidades entre crianças abonadas e carentes, já que, dos filhos de famílias com renda mensal per capita acima de cinco salários mínimos entre quatro e seis anos, 90% freqüentam pré-escolas, contra 40% dos filhos de famílias com renda até meio salário.

  Que a ampliação do ensino fundamental, portanto, não desvie o foco de um dos mais sérios problemas nacionais - a desassistência à primeira infância, que tende a se perpetuar, graças à insuficiência de recursos para expandir o acesso a (boas) creches e pré-escolas, de acordo com as metas do Plano Nacional de Educação, que frisa ser "a educação infantil que estabelece as bases da personalidade humana, da inteligência, da vida emocional e da socialização". Adiante, o PNE, que vigora desde 2001, fixa o prazo de dez anos para o atendimento de 50% das crianças até três anos e 80% daquelas até seis anos (dos 23 milhões de brasileiros nesta faixa, só 1,2 milhão está em creches e 5,6 milhões em pré-escolas). Para isso, o percentual do PIB destinado às creches precisa saltar de 0,07% para 0,56%, e o destinado às pré-escolas, de 0,26% para 0,6% (estudo do próprio Governo). Esticar o ensino fundamental sairá mais barato?

  Lembramos, ainda, que o Fundeb, substituto do Fundef, cujo fim seria suprir, a partir de 2005, necessidades de toda a educação básica, deveria injetar recursos na educação infantil, mas o MEC já ameaçou privilegiar o ensino médio: usando como base valores do Fundef de 2002, calculou o gasto aluno/ano de R$ 1.342 para este nível, enquanto na pré-escola e ensino fundamental o cálculo oscilou entre R$ 418 e R$ 435. Um contra-senso. Tanto empenho para resolver problemas no alto da pirâmide será infrutífero se, na base, o governo não der conta de organizar um quadro extremamente confuso, que resulta em graves prejuízos para a trajetória futura dos alunos. Exemplos de absurdos: dos 1,23 milhão matriculados em creches, só 755 mil têm até três anos; 466,5 mil têm de quatro a seis e deviam estar em pré-escolas;13.771 têm entre sete e nove e deviam estar no ensino fundamental; 1,9 mil têm mais de nove (sem comentários). Nas pré-escolas, 175,4 mil têm até três anos e deviam estar em creches; 4.563.522 têm entre quatro e seis; 413.875 875 têm entre sete e nove e 2.870, mais de nove. Porque milhares de crianças não recebem assistência apropriada á idade éalgo a investigar.

   Enquanto isso, a repetência alcança 36% dos alunos da primeira série do ensino fundamental, mais de 19% já passaram dos sete anos e a distorção idade-série progride até atingir 40,6% na oitava série. Na quarta série, mais de 50% dos alunos testados pelo SAEB estão em estágios críticos de aprendizado e, segundo o INEP, uma causa para o fraco desempenho é não haverem freqüentado a educação infantil. De fato: pesquisa do IPEA já constatou que cada ano na pré-escola amplia em 0,4 anos a escolaridade de crianças pobres (e em 4% seu poder de compra, quando adultas).

  Enquanto não mexermos no vespeiro que são os primeiros anos de escola dos brasileiros, reduzir para seis anos o ingresso no ensino fundamental será inútil (se não agravar o caos). Que a sociedade se conscientize que a prioridade, agora, para a melhoria do ensino e da performance dos alunos é trabalhar pela organização, expansão e qualidade da educação infantil. Bom exemplo vem sendo dado pelo Terceiro Setor. Ano passado, a Unesco, Fundação Orsa e Andi lançaram o livro Fontes para a educação infantil, que traz esclarecimentos sobre a importância e urgência do tema. Anteriormente, no seminário "A Cidadania antes dos 7", as ONGs pediram apoio da mídia a fim de que a educação infantil seja abordada de forma mais sistemática e que as ações governamentais que afetem esse nível sejam acompanhadas. Sempre. A hora é essa.


Justificação do diálogo

Antonio Carlos Valença
DIRETOR TÉCNICO DE VALENÇA & ASSOCIADOS

David Bohm, embora um físico quântico, foi uma das personalidades mais significativas para o movimento da Aprendizagem Organizacional. Ele manteve uma série de entrevistas com cientistas e líderes, a mais notável delas com J. Krishnamurti, tendo colaborado decisivamente para a estruturação teórica da literatura sobre diálogo nas organizações. Sua fundamentação é do ponto de vista ontológico, epistemológico, metodológico e pragmático, inteiramente coerente e alinhada com a literatura da ciência da ação e da educação reflexiva, representadas deste a década de 60 pelas obras e experiências de seus pesquisadores mais notáveis: Chris Argyris e Donald Schon. A literatura posterior sobre diálogo, depois de seu texto seminal em 1990, On Dialogue, é útil, mas típicas das contribuições aditivas de caráter perfunctório. Ele disse o essencial. E bem.

  D. Bohm tem diversos argumentos que servem de justificação para a importância do diálogo. Diz que as pessoas, indistintamente, mantêm diálogos interiores, base da criatividade e da intenção, e da forma de agir. Sentem-se fortalecidas com suas idéias e pressupostos, que lhes dão identidade. Quando se sentem ameaçadas nestas idéias e pressupostos, passam a agir com auto-defesa e normalmente com agressividade. As opiniões são sempre carregadas de forte teor emotivo. Estas reações são inconscientes, tácitas, automáticas. Estas situações são agravadas nos ambientes regidos por normas que sancionam e recompensam estas reações: igrejas, partidos políticos, clubes esportivos, salas de lidas jurídicas, e outros. As pessoas se vêem na obrigação de cumprir a risca seus papéis, de modo que criam justificativas para agir assim, apelando para critérios de legitimidade e de ética Ele diz que há algo quase animal dentro de nós, a espera do ponto de discórdia para atacar o outro. Aprendemos isto, basicamente com a família, uma estrutura hierárquica, organizada na autoridade, contrária aos princípios do diálogo (mas, as famílias podem aprender a dialogar!).

  Ele trabalha com dois pressupostosdiferentes, mas complementares: primeiro, que pensar é um processo tácito, muito sutil. A construção de significados é também um processo tácito, complexo. As pessoas usam e sabem as regras de como usar os termos, mas dificilmente conseguem explicar porque sabem ou fazem. Este pressuposto serve de base para sua alegação que no diálogo há uma construção também tácita, sutil, complexa, cumulativa e surpreendente de significado. O significado é sempre compartilhado, e quanto mais amplamente compartilhado, mais ele dá "cimento" e "ligadura" para a cultura do ambiente ou da sociedade. Emerge então a idéia da construção de um artefato social. O ambiente como um contingente no qual ajustamos e reorganizamos nossas atitudes e nossas estratégias de ação. Bohm diz que o diálogo, seu segundo pressuposto, é comparado por analogia a uma luz de laser, que evita a dispersão e se concentra em pura coerência. Daí dizer que o pensamento coletivo é mais forte e sobredeterminante sobre o pensamento individual. O fenômeno da consciência coletiva como um todo unificado alimenta e fortalece o diálogo, ainda de forma tácita. A "verdade", circunstancial e hermenêutica, é vista como um significado comum, um sentido.

  Finalmente, Bohm lembra que o diálogo provoca a sensação única e transcendente de "felicidade (bliss) compartilhada" e argumenta que há várias formas de unificação das pessoas, muitas delas tratadas na literatura de dinâmica de grupo, já que as pessoas também se unificam por ódio, pânico, perturbações, motivos menores. A ciência da ação e a educação reflexiva reconhecem utilidade nos três fenômenos. A discussão improdutiva é a mais freqüente e ocorre porque as partes se vêem competindo. Quando uma parte é de fato mais competente e se vê numa situação irreconciliável e inegociável de violência, e não tem mais outra saída, então deve usar de toda força, fazendo os cálculos das conseqüências menos danosas. Nestas situações, recomendamos aos nossos formandos serem firmes e certeiros. Procuramos conduzir a vida com o mesmo princípio. Recomendamos também que assim que houver chance de recomposição democrática, retroceder e usar a discussão produtiva, que é a mais útil das técnicas para o mundo dos fazeres e dos negócios, dominados pelo raciocínio convergente e analítico. Tudo o que precisamos saber para manter uma boa discussão produtiva é o acordo quanto aos critérios para julgamento dos juízos. Já o diálogo é útil para as situações de investigação com criatividade, inspiração, poesia, louvor, apreciação e imaginação. É fina arte.

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