Com a proximidade do fim do ano, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) está apertando o cerco contra as prefeituras inadimplentes. Ontem pela manhã a empresa suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao município de Bezerros, no Agreste. Foram cortados o matadouro, o açougue, a Secretaria de Educação e algumas garagens. Até o fechamento desta edição não havia sinal de negociação. Na próxima semana, nada mais, nada menos que 20 prefeituras estarão na mira da distribuidora e também serão cortadas caso não haja um acordo prévio.
O gerente de Atendimento a Clientes da Celpe, José Carlos Medeiros, explica que, no caso de Bezerros, esgotaram-se todas as tentativas de diálogo. "O corte era para ter acontecido há 15 dias, mas demos um tempo para a prefeitura se manifestar, o que acabou não acontecendo", justificou. A Prefeitura de Bezerros deve o equivalente a quatro faturas mensais e já havia apresentado problemas de pagamento este ano.
De janeiro até agora a Celpe suspendeu o fornecimento de energia elétrica a 76 prefeituras. Em várias, o corte ocorreu mais de uma vez. As ações começaram a se intensificar a partir de junho, mês em que a Celpe contabilizava R$ 75 milhões em dívidas contraídas por 125 prefeituras do Estado, sendo R$ 52 milhões em faturas vencidas e R$ 23 milhões em parcelas a vencer (faturas negociadas).
Hoje, ainda restam 69 prefeituras inadimplentes, saldo que a Celpe esperar zerar até o próximo dia 31. O débito total aumentou para R$ 100 milhões, mas o montante vencido foi reduzido para R$ 20 milhões e R$ 80 milhões estão negociados. "É um dinheiro que ainda não está nos cofres da Celpe, mas já significa uma evolução", comenta José Carlos Medeiros. Segundo ele, as negociações com as prefeituras estão sendo feitas em um clima amistoso, com exceção daquelas que obtiveram liminares judiciais impedindo o corte.
Das 69 prefeituras que permanecem inadimplentes, 29 estão isentas do corte em função de liminares, significando um débito de R$ 13,6 milhões, de acordo com o último levantamentorealizado pela Celpe. Pelo menos dez delas - as que devem os maiores montantes - serão procuradas para um entendimento amigável até o final do mês. Caso não haja acordo, promete a Celpe, elas irão para a ponta do alicate. E poderão passar o Natal ou o Réveillon no escuro.
|