Últimas Diversão Comunidade Tecnologia Esportes Turismo Quem Somos
Diario de Pernambuco TVGuararapes Radio Caetés Rádio Clube
Atualizado em 12|12|2004 
Domingo | Geração
   DIARIO
   Índice Geral
   Expediente
   Ed. Anteriores
   Assinaturas
   História
   CADERNOS
   Política
   Brasil
   Mundo
   Economia
   Esportes
   Vida Urbana
   Viver
   SUPLEMENTOS
   Revista da TV
   Empregos
   Domingo
   Interior
   Viagem
   Informática
   Carro
   Imóveis
   Saúde
   Diarinho

    SERVIÇOS

   Loterias

Domingo
Geração
A difícil hora de deixar o teto dos pais
Fred Figueiroa Da equipe do DIaRIO
Cada vez menos dispostos a deixarem a casa dos pais, muitos jovens vivenciam essa experiência como "sacrifício" e confessam as dificuldades de enfrentar a solidão

Completar 18 anos, conseguir independência financeira e sair debaixo das asas dos pais para ir morar sozinho já foi praticamente um ideal da juventude, mas este velho desejo revolucionário de romper o segundo e invisível cordão umbilical parece andar adormecido na cabeça dos garotos e garotas brasileiros do século 21. A instabilidade econômica do País e uma significativa abertura de diálogo e relacionamento com os coroas, parece ter transformado a casa dos pais no lugar ideal para atravessar a adolescência e entrar na vida adulta. E, em um processo praticamente inverso, a maioria dos jovens de hoje que saem de casa para morar sozinhos só o fazem por obrigação, para estudar e trabalhar em outra cidade e sempre com o apoio dos pais. Isso sim se pode chamar de revolução.


Antes de curtir a liberdade, Bruna chorou muito sozinha e teve que aprender a superar a dor. Foto: Gil Vicente.
  Ígor Valadares tinha apenas 15 anos quando deixou a família, em São José do Egito, e veio morar sozinho num apartamento no Recife, para fazer o segundo grau. Era a vida que ele pediu a Deus ? "Muitos jovens dizem que são loucos para saírem dacasa dos pais porque eles nunca tiveram que morar sozinhos. No início é muito difícil. Para mim, foi um sacrifício pelo meu futuro", confessa Ígor que, de uma hora pra outra, viu a sua vida virar ao avesso. "Não me senti mais livre aqui. Qual a liberdade de ficar só, preso dentro de um apartamento?", questiona o garoto, hoje com 17 e - inevitavelmente - mais maduro e responsável.

  A verdade é que, nessas circunstâncias, o fato de morar sozinho não significa a quebra do elo com os pais, que ainda sustentam os filhos, resolvem os principais problemas e - acima de tudo - impõem suas regras e limites. "Estou sempre falando com meus pais, eles sabem de tudo o que acontece aqui. Meu namorado, por exemplo, mora no mesmo prédio que eu, mas nunca vem aqui no apartamento", explica Lis, irmã mais nova de Ígor, que também veio para o Recife fazer o ensino médio.

  Mas, de uma forma ou de outra, o caminho de sair para morar só parece sem volta. Faz sete anos que Bruna Cavalcanti, hoje com 22 e já na faculdade, não sabeo que é ter outra pessoa debaixo do mesmo teto, falando alto, assistindo tv até tarde, deixando a sala desarrumada e coisinhas do tipo. "Hoje não conseguiria dividir meu apartamento com ninguém. Quando chegam visitas aqui em casa e tiram um porta-retrato do lugar, já fico furiosa. Aprendi a ter tudo do meu jeito, a fazer as coisas que eu quero, como quero e na hora que quero", conta Bruna que consideraria um "desastre" a possibilidade de, agora, ter que voltar a morar com os pais.

Desafios - Bruna hoje tem a sua liberdade, faz suas regras e aprendeu a cuidar de si mesma. Mas isso não veio da noite para o dia. "A solidão é que traz essa consciência, essa responsabilidade", ensina a garota que enfrentou essa solidão em noites que via pela janela outros apartamentos com as famílias reunidas na sala, jantando ou vendo tv - ou ainda em noites que chegava em casa e não tinha ninguém para esperá-la, para um abraço, uma conversa e até uma bronca. "Chorei muito por isso", relembra Bruna.

  Pequenos problemas docotidiano - como uma gripe mais forte ou uma invasão de cupins - acabaram virando verdadeiros desafios quando não se tem ninguém ao lado para ajudar. Porém, é nessas horas que devem surgir os amigos - peças-chaves para quem não vive sob a proteção diária dos pais. "Se não fossem os amigos, não teria suportado", confessa Bruna, consciente de que morar só, definitivamente, não significa viver só.

Clique aqui e leia os Comentários

 

 
        Escolha aqui um canal do Pernambuco.com:
quem somos | contato comercial | sua opinião sobre o portal
Copyright 2004 - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com