BRASÍLIA - As tendências mais à esquerda do PT divulgaram ontem um documento de quatro páginas em que fazem várias críticas ao Governo, além de lançarem um candidato à presidência da Câmara, o deputado Walter Pinheiro (BA). O substituto de João Paulo Cunha (PT-SP) será escolhido em fevereiro do próximo ano. Sob o título Carta aos Petistas, o documento diz que alguns dos motivos para derrotas que o partido sofreu nas eleições municipais foram "a perda do essencial ânimo militante petista" e "o adiamento e frustração das expectativas de mudança real das condições de vida e trabalho" da população.
As oito correntes internas do PT que assinam o documento possuem cerca de 30 dos 90 deputados federais da legenda. Na semana passada, esse grupo votou praticamente em bloco contra o Governo durante a apreciação, na Câmara, da medida provisória que concedeu status de ministro ao presidente do Banco Central. "Defenderemos um partido da sociedade, vivo, vinculado aos anseios dos trabalhadores, e não um partido estatal,instrumento passivo do poder dominante, acoitado em "máquinas' administrativas", diz parte do texto, que ataca ainda o fisiologismo com que o Governo estaria se relacionando com o Congresso.
A esquerda do partido também rebate algumas das principais comemorações do Governo no campo econômico: o crescimento do PIB e do agronegócio, que seria um eufemismo para "latifúndio". "Muito mais importante do que o crescimento do PIB é a queda, inclusive em 2003, da participação do trabalho na renda nacional", diz o texto. Para o deputado João Alfredo (CE), Walter Pinheiro seria capaz de manter a unidade do partido e garantir mais independência da Câmara frente ao Palácio do Planalto. Ele criticou a indicação de um outro nome que fosse apenas "mera correia de transmissão" do Executivo."
Arquivo - Lula editou ontem à noite uma medida provisória deixando nas mãos da Casa Civil a palavra final sobre a divulgação de documentos ou trechos deles. Também foi editado um decreto modificando os prazos instituídos por Fernando Henrique em dezembro de 2002. A Comissão de Averiguação e Análise de Informações Sigilosas, que será responsável pela autorização final antes da divulgação, será composta por seis ministérios e coordenada pela Casa Civil.
Além da Casa Civil, fazem parte da comissão os ministérios da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. A medida provisória prevê o "sigilo eterno" de documentos, mas deixa isso nas mãos da comissão, sem especificar se os papéis seriam classificados como reservados, confidenciais, secretos ou ultra-secretos.
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