BRASíLIA - O PPS caminha para votar amanhã o rompimento com o Governo, dar ultimato aos governistas do partido para que abandonem seus cargos e, a exemplo do PMDB, viver uma rebelião interna. Com o PPS essa ameaça é séria. "Nós não somos o PMDB. Se a direção do partido decidir que temos de sair do governo, o partido acaba", diz o líder do PPS na Câmara, Júlio Delgado (MG). Nas contas do líder, se a reunião do diretório do partido, no Rio, decidir pela independência e pela entrega dos cargos, deixam o PPS imediatamente o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, os dois senadores, os dois governadores e 15 dos 23 deputados. "Será o fim do PPS, partido de futuro, que pode abrigar os descontentes do PMDB e do PT e se fundir com o PDT, conforme entendimentos já iniciados", reclama Delgado.
Ele sabe que, dos 113 integrantes do diretório nacional, os que defendem a continuidade do PPS no Governo são minoria. Não têm nem 40 votos. Todos os outros seguem a orientação do presidente do partido, deputado RobertoFreire (PE). "Nós vamos votar a independência do PPS. Uma vez aprovada, quem tem cargos no governo terá de sair", afirma Freire. Não somos o PMDB. A decisão tem de ser cumprida. Se alguém não quiser largar o cargo, terá de se licenciar ou deixar o partido, porque corre o risco de ser expulso por desobediência." Licenciada, a pessoa perde a vida partidária. Não pode mais participar das decisões tomadas pelas bancadas na Câmara e no Senado nem nos órgãos de direção partidária, como a executiva ou os diretórios.
Ciente de que há um clima de radicalização no PPS, Ciro resolveu partir para o confronto. Reuniu os governadores do Amazonas, Eduardo Braga, e de Mato Grosso, Blairo Maggi, os senadores Patrícia Sabóia (CE) e Mozarildo Cavalcanti (RR), e 17 deputados, e formou um comando de defesa da permanência do partido no Governo.
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