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Atualizado em 05|12|2004 
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Domingo
Geração
Quando o futuro chega mais cedo
Juliana Pessoa
Especial para o DIARIO
Gravidez na adolescência é sinônimo de reviravolta na vida da família, conflitos pessoais e amadurecimento precoce

Ninguém espera. Um simples exame de sangue e... positivo. "Eu achava que não ia acontecer comigo". É a primeira reação das garotas quando descobrem a gravidez inesperada. A surpresa também é grande para os meninos. Ainda estudando, morando com os pais, ter de enfrentar a família nem sempre aberta a conversas, as responsabilidades que chegam com uma criança assusta.


Julieta e Rafael superaram as turbulências e estão criando a filha juntos. Foto: Juliana Leitão/Especial para o DIARIO.
Mesmo vivendo num mundo onde a informação circula por todos os lados, engravidar antes do esperado é algo comum. "As campanhas de métodos preventivos ainda são muito falhas", argumenta o psicólogo Carlos Brito, acreditando que pior do que a desinformação é a falta de conscientização. Brito afirma que a gravidez também pode chegar como uma forma inconsciente de atingir a maturidade. "As pessoas estão passando pelas fases da vida muito rápido, antecipando fases", explica.

  "Eu não esperava de jeito nenhum", comenta Julieta Drahomiro Duarte, 20 anos. Quando engravidou, aos 18 anos, do namorado Rafael Domingos, na época com 20, estava no terceiro ano do ensino médio. A novidade fez a vida dela dar uma volta. "Quando peguei o exame pirei." Eles continuam juntos, moram com a mãe dele, mas a vida já não é a mesma coisa. Julieta teve que adiar a entrada na universidade por um ano. "Agora tenho que me dividir entre a criança e os estudos", explica. Ela também precisou enfrentar o medo de falar com a família. "Sabia que meu pai ia ficar irritado, principalmente com o meu namorado", lembra. Depois de conversar com os pais do namorado e com a mãe, Julieta encarou o enfrentamento". "Passamos três meses sem nos falar e ele ainda foi parar no hospital".


Eduardo e Carla dizem que o filho só fez antecipar um projeto a dois. Foto: Ricardo Fernandes.
  Além da mudança radical de vida, a questão financeira também pesa. "Minha preocupação com dinheiro e com crescimento profissional agora é maior", confessa Eduardo Queiroz, pai de Lucas, de quatro meses, que se divide entre o trabalho e o curso de fisioterapia. Mas nem sempre dá para conciliar. "A responsabilidade aumenta. Tenho que trabalhar", diz Márcio Rodrigo Cavalcanti, 22 anos, que tem uma filha de umano, da namorada Natália Duarte, 19. Ele trancou o curso de administração e trabalha para ajudar nas despesas. "Ainda sou novo pra ter filho, mas Izabela é tudo pra mim".

  Nem sempre a relação consegue superar tantas turbulências e imaturidades. A estudante Mariana engravidou aos 18 anos e hoje, quase três anos depois, tenta conviver o melhor possível com seu ex-namorado. "A gente sempre se fala para tomar decisões em relação ao nosso filho". Mariana ressalta que depois que as coisas se acalmam fica mais fácil. "Hoje estou com outra pessoa e vivo bem com meu filho".

  Alguns casais vêem no filho que está por vim o motivo que faltava para uma união apressada. "Já sabíamos que ficaríamos juntos. A gravidez só fez adiantar tudo", confessa Carla Roberta, 19 anos, esposa de Eduardo. "Os pais dela não queriam que a gente casasse, mas queríamos um espaço nosso para criar Luquinhas", justifica Eduardo.

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