O Hospital Otávio de Freitas (HOF) voltou ontem a ser palco de mais uma morte misteriosa. O corpo do paciente José Amaro Augusto da Silva, 40 anos, foi encontrado ontem pela manhã, em avançado estado de decomposição, pendurado por um fio elétrico, na sala de máquinas do prédio da emergência do hospital. Ele estava desaparecido desde de a última segunda-feira, dia 22 de novembro. O paciente foi levado para o hospital por policiais, no dia 20, depois de ser flagrado bêbado, tendo alucinações e tentando entrar no Batalhão de Comunicação da PM, em Tejipió.
A família do paciente procurou o HOF após tomar conhecimento do corpo e foram até o IML para realizar o reconhecimento do cadáver. A confirmação de que tratava-se, de fato, de José Amaro, entretanto, só foi possível por causa de uma comparação de digitais. "O cabelo, a barba e a cor da pele pareciam, mas não dava para ter certeza", disse a irmã, Josefa Augusta da Silva.
De acordo com o coordenador da Emergência, Stemberg Vasconcelos, foi o mau cheiro forteque chamou a atenção dos servidores. Ontem, quem passava pelo setor precisava usar máscaras para suportar o odor. "Por volta das 8h, eles identificaram que o mau cheiro vinha da sala de máquinas. Chamamos a Polícia, que abriu a porta e encontrou o corpo, às 10h", relatou. Ele esclareceu que o local é de difícil acesso, o que explicaria o fato de ninguém ter visto o cadáver. O Instituto de Criminalística (IC) removeu o corpo, por volta das 12h50. O caso foi registrado na Delegacia de Tejipió e ainda será investigado se houve suicídio ou assassinato. Stemberg informou que a Secretaria Estadual de Saúde vai instaurar sindicância para apurar como o paciente morreu.
Culpa - Este é o terceiro caso de morte violenta no HOF desde o dia 14 de dezembro do ano passado. Nesta data, uma jovem de 14 anos foi encontrada morta e com sinais de violência sexual na Emergência Psiquiátrica da unidade. O laudo do IML concluiu que a jovem foi morta por asfixia por esganadura. A Polícia apontou outras duas pacientes como culpadas.O outro caso foi constatado no dia 31 de janeiro, quando um portador de autismo, de 14 anos, foi achado caído no chão do hospital, com ferimentos no peito e nos braços. Não resistiu e morreu depois no HR.
A revolta da irmã de José Amaro, Josefa Augusta da Silva é que, segundo ela, o HOF só tomou conhecimento do desaparecimento do irmão depois que a família apareceu. "O procuramos por todos os lugares, até nos banheiros e nas salas de isolamento". O coordenador da Emergência, Stemberg Vasconcelos, explicou que pacientes alcoolistas não são custodiados como os psiquiátricos. "Depois de receberem o tratamento, podem sair, desde que recebam alta médica. Como vimos que ele não havia recebido autorização para sair, fomos procurar".
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