Depois de oito dias de paralisação que acabou fechando todos os grandes ambulatórios da Região Metropolitana do Recife e do Interior, os servidores estaduais da Saúde e Governo chegaram a um impasse. De um lado, os grevistas - que insistem na manutenção do movimento -, do outro, a administração estadual, cuja posição oficial é de não negociar enquanto a paralisação persistir. Diante da situação e sem nenhum acordo, a Secretaria de Administração e Reforma do Estado (Sare), a quem compete discutir a questão de reajuste salarial reivindicada pelos servidores, divulgou nota oficial ontem avisando que vai começar a tomar medidas para punir os grevistas.
Além dos descontos dos dias parados, o que já havia sido sinalizado desde que a Justiça ordenou, na sexta-feira passada, o retorno imediato dos trabalhadores ao trabalho, a Sare também determinou a abertura de processos administrativos que podem culminar com a demissão de servidores. A nota sustenta ainda que o Governo já autorizou a Secretaria Estadual de Saúdea contratar, em caráter temporário, profissionais da área de saúde para suprir a necessidade emergencial de atendimento à população.
Radicalização - Para o presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Pernambuco e integrante da comissão de negociação dos grevistas, Luiz Torres, isto sinaliza uma radicalização por parte do Governo. "Mais de 17 mil servidores da Saúde recebem menos que o salário mínimo. Se nem esse e outros direitos estão sendo respeitados, nós não temos mais o que perder. Chegamos ao fundo do poço e o que quer que o Governo faça para nos pressionar, não vai alterar isso", lamenta. Até o início da noite de ontem, o Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais em Saúde informava que não tinham sido oficialmente notificado da decisão judicial que determina a interrupção da paralisação.
Torres também classificou a ameaça de demissões e o anúncio de contratação de pessoal para substituir os servidores em greve como uma tentativa de reprimir o movimento. "Se a intenção era de enfraquecer nossa mobilização em massa, o efeito foi contrário. Agora até o pessoal do Interior quer vir para o Recife e se juntar às manifestações", sustentou.
Tentativa - Segundo Torres, a única forma de resolver o impasse criado em torno da greve é a reabertura do canal de negociações. "Fomos surpreendidos com a atitude do Governo que, depois de duas reuniões, ficou de nos apresentar uma nova proposta mas nos avisou de última hora que não haveria mais tentativa de acordo", disse. Diante disso, durante a assembléia convocada na tarde de ontem para avaliar os rumos do movimento, os servidores decidiram por unanimidade manter a paralisação.
Além da continuidade da greve, também foi deliberado no encontro o estado permanente de assembléia, com a possibilidade de convocações a qualquer momento. Outra providência foi a elaboração de um calendário de mobilizações diárias. Na manhã de hoje, os grevistas devem participar de um panelaço em frente à sede da SES. O protesto está marcado para acontecer a partir das 9h e em seguida osmanifestantes pretendem seguir em passeata até a Assembléia Legislativa ou o Palácio do Governo.
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