Quase dez meses depois do assalto à agência do Citibank, no Bairro do Recife, os clientes do banco decidiram criar uma comissão para exigir o ressarcimento dos bens roubados. Com reunião marcada para as 18h da próxima quarta-feira, na Sala Aloísio Magalhães (Fundaj/Derby), o grupo se organizará em associação para busca, na Justiça, seus direitos. Na época, a Polícia estimou que os ladrões levaram mais de R$ 6 milhões em dinheiro, jóias e dólares guardados em 96 cofres. O assalto, que aconteceu no dia 20 de fevereiro, sexta-feira da semana pré-carnavalesca, acabou sendo facilitado pela interdição do trânsito na área.
A advogada Fernanda Menezes, que representa oito famílias que tinham cofres alugados no banco, disse acredita que o assunto vem sendo tratado com descaso pelo Citibank. "O banco se nega a fazer qualquer tipo de ressarcimento". A falta de informação, de acordo com ela, passa também pelo inquérito policial aberto para investigar o caso. "Ninguém tem detalhes do que a Polícia fez até agora".
A convocação para a reunião foi feita através de anúncios feitos ontem nos jornais locais. "Até as 15h de hoje (ontem) recebi 45 ligações", disse Fernanda. A intenção é republicar os anúncios por mais duas vezes. Entre as famílias representadas por ela estão Tavares de Melo, Martorelli, Azevedo, Brennand e Maranhão. Eliane Padilha, Eliana Padrilha, gerente do Citibank, informou que a instituição não se pronunciaria.
Planejamento - Considerado um dos assaltos mais ousados dos últimos anos, a investida contra a agência do Citibank ainda não foi desvendada pela Polícia. O inquérito que apura o assalto já acumula três volumes com 800 páginas e mais de 50 pessoas interrogadas. No entanto, apenas uma senhora, que tinha R$ 200 mil em espécie, guardados em cofre, registrou queixa na Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto (DRRF). O delegado Ariosto Esteves assegurou que as investigações identificaram visualmente quatro integrantes da quadrilha. "Encaminhamos as fotos as polícias civis dos estados do Sul e Sudeste, masainda não conseguimos os nomes".
Segundo o delegado, pelo menos 20 pessoas estão envolvidas. A quadrilha também seria responsável pelo assalto à agência do Banco de Brasília, no Distrito Federal, e o Citibank, de Salvador, na Bahia, ambos ocorridos em 2003. "Suspeitamos que os envolvidos sejam do Estado do Paraná e de Santa Catarina". A Polícia também localizou, em Piedade, a casa onde o gerente Cléber Eduardo Souza Santos foi mantido refém na véspera do assalto. Ele foi abordado por quatro homens quando seguia pelo viaduto Tancredo Neves, em Boa Viagem. Cléber obrigado a seguir com os ladrões até seu apartamento, em Boa Viagem. No dia 20 de fevereiro, foi levado à agência carregando vários explosivos na cintura.
Terror - Para aterrorizar os outros funcionários, o grupo chegou a exbir fotos de parentes, mostrando total controle da rotina de cada um deles. Para assegurar o êxito da ação, a quadrilha invandiu, um dia antes, a Central da Telemar no Pátio de São Pedro, onde foram cortados os ramais telefônicos que atendiam ao Citibank. Isso provocou uma pane dos telefones da área, deixando a instituição bancária incomunicável.
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