BRASíLIA - Em cada instante à beira de um ataque de nervos e cientes de que até o dia 9 alguns terão de entregar os cargos para abrigar aliados que chegam para reforçar a base de apoio do governo no Congresso, os ministros começaram ontem a precaver-se da degola com um reforço na agenda. Cada um teve um dia mais cheio de trabalho do que o outro.
O ministro de Cidades, Olívio Dutra, um que poderá entregar o cargo, abriu juntamente com o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, um seminário sobre política nacional de desenvolvimento urbano. Desde que começou a ver o nome nas listas de prováveis demitidos, Olívio começou a se mexer. No fim da semana, ele divulgou mais uma vez documento entregue no início do semestre aos participantes do Fórum Mundial das Cidades, em Barcelona.
O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, que não está ameaçado de demissão, também tomou os cuidados. Anunciou no Rio os resultados de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com 836 empresários do setor de turismoem todo o País. O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, que não deve figurar na lista dos demitidos, também mostrou trabalho. Às 8 horas, ele estava de pé para tratar do orçamento do ministério. Falou sobre questões nucleares - assunto tido como tabu - e encerrou a noite com jovens cientistas.
Até o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que costuma dizer que não está ameaçado, teve o cuidado de mostrar o quanto trabalha. Durante a tarde de ontem, ele reuniu-se com o chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República, Luiz Gushiken, no Palácio do Planalto. Meia hora depois, no ministério, recebeu o representante da Casa Via Magia, Ruy Cezar. Às 17h30, encontrou-se com o presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Gustavo Dahl.
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, um dos que não correm risco, passou todo o dia de hoje envolvido em reuniões no Palácio do Planalto. Tratou, com o presidente Lula, das prioridades para o Orçamento de 2005: reajuste da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e aumento real para o salário mínimo, dois temas de forte apelo em todas as classes sociais.
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